Venda acelerada de soja e milho para liberar armazéns pressiona preços

Segundo o Cepea, na última sexta-feira, cotações estavam 4,9% abaixo do patamar registrado uma semana antes

Mesmo em período de entressafra, os preços de soja e milho estão em queda no Brasil. De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada(Cepea/Esalq/USP), o movimento atípico deve-se à necessidade dos produtores de liberarem espaços de estocagem para a safra de verão.

Levantamento da instituição mostra que as cotações da soja estão em seu menor patamar desde julho, o que não costuma acontecer nessa época do ano. A saca de 60 quilos da oleaginosa valia R$ 162,72 na última sexta-feira, montante 4,9% menor que o da semana anterior, segundo o indicador Esalq/BM&FBovespa, com base no porto de Paranaguá, no Paraná. Já o indicador Cepea/Esalq baseado na média do Estado estima a saca a R$ 159,80, também 4,9% abaixo do registrado uma semana antes.

Os pesquisadores do Cepea dizem, em nota, que os agricultores estão liberando os armazéns para a chegada da safra 2021/22, que pode ser recorde e elevar os estoques. Com clima favorável, o plantio já entrou na reta final nas principais regiões produtoras.

No caso do milho, os valores no porto de Paranaguá superaram as cotações no interior, com base na praça de Campinas (SP). Segundo o Cepea, isso não acontecia desde outubro de 2020 e está ligado à baixa liquidez no mercado interno, além da venda para redução de estoques.

Soja e milho caíram na sexta-feira também devido à desvalorização de ambas as commodities na bolsa de Chicago e à queda do dólar em relação ao real. A saca de 60 quilos do cereal estava cotada a R$ 86,61 em Campinas na sexta, recuo de 0,26% em relação à semana anterior. Nos portos de Paranaguá e de Santos (SP), as quedas foram de 1,8% e 2%, a R$ 85 e R$ 85,89, respectivamente.

Segundo os pesquisadores do Cepea, os compradores domésticos estão afastados do mercado spot, o que indica que há estoques no curto prazo. Além disso, com as projeções de safra de verão volumosa, os estoques devem ficar confortáveis, refletindo-se em exportações menores.

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