quinta-feira, 7 de julho de 2022

Só a exaustão do poder aquisitivo do consumidor explica o fraco comportamento do frango

Se até recentemente a produção de pintos de corte ajudou a explicar o comportamento de mercado do frango abatido (leia-se: preços), de meados de abril para cá deixou de ser um bom indicador.

A velha (mas insubstituível) lei da oferta e procura demonstra que quando a disponibilidade de um produto é excessiva, seus preços retroagem. E vice-versa.

No tocante ao frango abatido, isso ficou bem claro nos (cerca de) primeiros 100 dias de 2022, ou seja, até meados de abril. Como entre parte de janeiro e a primeira quinzena de fevereiro a disponibilidade de frangos prontos para o abate (pintos produzidos no final de 2021) foi elevada frente ao baixo consumo daquele momento (início de novo exercício), os preços alcançados pelo frango abatido chegaram a retroceder a níveis inferiores aos registrados um ano antes.

Já a queda de oferta observada a partir de meados de fevereiro (pintos de janeiro) propiciou rápida reversão dos preços, movimento que permaneceu por todo o mês de março e se estendeu até meados de abril. Isto – note-se – a despeito de a oferta aparente do período ter sofrido aumento em relação a idêntico período anterior (de toda forma o volume médio registrado foi cerca de 6% inferior ao de 60 dias antes).

Porém, a partir de meados de abril (pintos do mês de março) a subversão é total. A disponibilidade aparente cai e os preços acompanham, processo que se estende maio adentro. Isto, apesar de no mês passado as exportações terem aumentado, atingindo o maior volume do ano e um dos maiores da história das exportações.

Ainda não há dados completos para todo o período, mas levando em conta as informações do IBGE para a produção de carne de frango no primeiro trimestre de 2020, constata-se que ela aumentou pouco mais de 2%, enquanto as exportações (dados da SECEX/ME) aumentaram quase 10%. Ou seja: a oferta interna foi menor que a de um ano atrás, resultado que deve ter se repetido em abril passado (pois as exportações do mês aumentaram), prosseguindo em maio corrente. Mesmo assim, os preços internos seguem decrescendo.

Tal constatação não deixa dúvidas: o mercado interno está muito mais fragilizado do que se imagina.

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