Sem home office, carne vegetal perde força nos EUA

Com a volta de atividades presenciais, vendas começam a cair

A carne de origem vegetal está perdendo seu apelo nos Estados Unidos. O declínio das vendas coloca em dúvida a perspectiva de essa nova categoria abocanhar de fato uma parte do mercado de proteína animal.

Nas quatro semanas até 3 de outubro, as vendas das proteínas à base de plantas nos EUA caíram 1,8% em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a empresa americana de dados de varejo SPINS. Em 2021, a queda acumulada é de 0,6%.

O forte aumento das vendas de carne à base de plantas no começo da pandemia, em 2020, estabeleceu um grande desafio para a manutenção do crescimento neste ano, mas esse não é o único fator para a queda. A demanda também começou a cair porque, com o fim gradual das restrições de circulação, os consumidores passaram a comer menos em casa. Além disso, em virtude de problemas nas cadeias de abastecimento, alguns produtos começaram a faltar nas lojas, segundo a SPINS. Em outras partes do mundo, a chegada de novos produtos ao mercado aumentou a competição pela preferência dos consumidores.

Os EUA são o maior mercado para as “novas” carnes vegetais que simulam a carne de verdade em sabor e textura. A notícia sobre a queda das vendas surge depois da divulgação de números fracos de receita da Beyond Meat e do grupo canadense Maple Leaf Foods nas últimas semanas. A Maple Leaf é dona da Green Leaf, empresa especializada em proteínas à base de plantas.

“Nos últimos seis meses, houve inesperadamente uma rápida desaceleração nas taxas de crescimento da categoria de proteínas à base de plantas”, afirmou a analistas, em novembro, o presidente executivo da Maple Leaf, Michael McCain. O executivo creditou a queda de 6,6% das vendas de proteínas à base de plantas da companhia ao declínio em toda a categoria que vai de alimentos refrigerados a serviços de alimentação. Segundo ele, a empresa está analisando as causas para tentar entender as mudanças no mercado.

A Maple Leaf superou as expectativas de receita com um aumento das vendas de 13,4% em sua divisão de carne de verdade. Analistas da BMO acreditam que a análise do mercado de proteínas à base de plantas levará a uma redução dos investimentos e gastos com marketing, o que deverá melhorar os resultados no ano que vem.

As ações da Beyond Meat caíram desde que ela divulgou vendas de US$ 106 milhões para o terceiro trimestre. A projeção anterior era de vendas de US$ 120 milhões a US$ 140 milhões.

Ethan Brown, presidente executivo da empresa, disse que a queda deveu-se ao fato de os consumidores estarem fazendo menos viagens e se mostrarem menos abertos a experimentar novos produtos, além de estarem menos interessados em opções saudáveis. Ele também mencionou as oportunidades menores de amostragem de produtos, uma vez que a disseminação da variante Delta do coronavírus limitou a exposição dos produtos aos consumidores.

A queda nas vendas acontece no momento em que mais startups e empresas de alimentos oferecem novos produtos à base de plantas. Os concorrentes mais novos estão oferecendo “cortes” realistas de carnes com o uso de tecnologias como a impressão 3D.

Bahige El-Rayes, da consultoria Bain, disse que com as carnes à base de plantas ainda custando de 30% a 40% mais que a carne verdadeira, e com a necessidade de melhorar os sabores e texturas, a categoria precisa, para continuar crescendo, aumentar a capacidade de produção, o que reduziria os custos, e investir mais em pesquisa e desenvolvimento.

As preocupações com o impacto ambiental da pecuária e com o bem-estar animal na cadeia de produção de carne estimularam os investimentos em proteínas alternativas nos últimos anos. Em 2020, startups de proteínas alternativas levantaram um recorde de US$ 3,1 bilhões em capital, dos quais as carnes, laticínios e ovos à base de plantas ficaram com US$ 2,1 bilhões. Os investidores parecem otimistas com a categoria. A Impossible Foods anunciou neste mês que fechou uma rodada de financiamento de US$ 500 milhões, o que elevou para quase US$ 2 bilhões o montante dos aportes desde que ela foi fundada, em 2011.

Alguns executivos acreditam que a queda das vendas é temporária. Steven Cahillane, presidente executivo da Kellogg, que controla a marca MorningStar Farms de produtos à base de plantas, disse que uma pesquisa da empresa com consumidores mostrou que “ainda há muito entusiasmo e empolgação” com as alternativas vegetais à carne.

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