Os planos da BRF para a sociedade com o fundo soberano do Catar

Exercício da put dos catarianos em sociedade na Turquia custaria R$ 468 milhões à dona da Sadia

Com um colchão de liquidez de R$ 7 bilhões e um perfil de vencimento de dívidas bastante longo, a BRF não teria qualquer problema para desembolsar R$ 468 milhões pela participação que o fundo soberano do Catar (QIA) detém na Banvit, uma processadora de carne de frango controlada pela dona da Sadia.

Uma das principais tacadas da BRF para se internacionalizar, a Banvit foi adquirida há quase cinco anos, numa operação de US$ 470 milhões em sociedade com o fundo soberano do Catar. A BRF detém 60% da holding que controla a Banvit e os catarianos, 40%. Desde então, o QIA tinha uma put contra a BRF, que vencia em novembro.

Ao anunciar na manhã desta terça-feira (30 de novembro) que está negociando a renovação da sociedade com o fundo soberano e estender o prazo de vencimento da put para 15 de dezembro, no entanto, a BRF chegou a suscitar dúvidas e algum temor no mercado com o nível de alavancagem, que já atingiu o limite prudencial de 3 vezes no terceiro trimestre.

Em entrevista ao Pipeline, o vice-presidente de finanças da BRF, Carlos Moura, afastou qualquer especulação. “Temos R$ 7 bilhões em liquidez para fazer isso e o impacto na alavancagem seria muito pequeno”, disse. Pelos cálculos do executivo, o exercício da put representaria um incremento de apenas 0,07 vez no indicador de endividamento. De qualquer forma, para a BRF é melhor preservar a liquidez para outros fins.

O executivo também descartou que a negociação com os catarianos envolva interesses alheios à Banvit. No passado, o fundo soberano chegou a ter o direito de converter as ações da empresa turca em uma fatia da OneFoods — subsidiária criada na era Tarpon que reunia os ativos dedicados ao mercado halal e posteriormente dissolvida.

“Não há qualquer discussão envolvendo trazer o fundo do Catar para dentro da BRF”, garante Moura. As conversas são exclusivamente pela renovação da sociedade na Turquia.

As motivações da BRF para renovar a sociedade são de outra ordem, disse o executivo. “Queremos continuar sócios do QIA, um investidor de longo prazo com quem temos uma relação de alto nível. São sócios que nos apoiam muito nas decisões de investimentos”, disse Moura, que interage com o fundo como vice-presidente do board da Banvit — pelo acordo de acionistas, a BRF indica três membros e os catarianos, dois.

No momento, o que está em jogo é uma tratativa que mantenha o QIA e, ao mesmo tempo, mude a condição de saída do fundo soberano da sociedade, evitando as constantes oscilações do valor justo da opção de venda, que é calculada a partir de um múltiplo de Ebitda da Banvit. A forte volatilidade da lira turca, moeda na qual a put é denominada, também costuma provocar ajustes bruscos no valor da opção.

No acumulado do ano até setembro, a BRF reconheceu um impacto financeiro (que continuará sem efeito caixa se a sociedade com o QIA for renovada) de R$ 278 milhões por causa da variação da put. A opção de venda foi uma das grandes responsáveis pelo prejuízo reportado pela companhia no terceiro trimestre. “Não teremos mais uma put como essa. Queremos fazer uma equação mais interessante”, resumiu Moura.

Desde que comprou a Banvit, a BRF vem ganhando participação na Turquia, país que respondeu por 6,6% (R$ 2,6 bilhões) da receita líquida do grupo no ano passado, ficando só atrás de Brasil, China e Arábia Saudita.

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