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Agroindústrias catarinenses retomam investimentos que devem chegar a R$ 2 bilhões até 2020

Categoria: Empresas

Chapecó, SC, 09/12/2019 |


Depois de dois anos com embargos, operações policiais, sobretaxas, suspensão de abates e prejuízos, as agroindústrias catarinenses vivem um momento de recuperação, com a retomada de investimentos, que podem chegar a R$ 2 bilhões até o ano que vem, segundo o presidente da Associação Catarinense de Avicultura, José Antônio Ribas Júnior. Ele calcula que somente neste ano esse montante passe dos R$ 700 milhões.

– O ano de 2019 vai fechar positivo especialmente em Santa Catarina, por onde as exportações sempre começam. É um ano que trouxe um novo fôlego, pois em 2017 e 2018 tivemos um baixíssimo investimento e que agora foi retomado, com esse movimento de demanda da China. Temos um cenário bastante positivo para 2020 com mais investimentos e geração de empregos – disse Ribas.

A empresa Aurora Alimentos investiu R$ 268 milhões para duplicar uma das unidades em Chapecó, que passou de 5 mil suínos por dia para cerca de oito mil suínos dia, e até maio do ano que vem pretende chegar a 10,5 mil suínos por dia. Essa unidade é a única do Brasil habilitada para os Estados Unidos e vai dobrar os embarques de 700 para 1,4 mil toneladas por mês.

O Japão, que é outro mercado exclusivo de Santa Catarina, também está ampliando os pedidos. Com isso, o número de empregos somente nesta unidade vai passar de 3 mil para cerca de 5,5 mil funcionários. A empresa também planeja investir R$ 300 milhões na unidade de Guatambu, com o objetivo de vai triplicar o abate de frangos. Em outubro, pela primeira vez a agroindústria atingiu um R$ 1 bilhão de faturamento em um mês. E no ano que vem quer fazer isso de média, segundo Mário Lanznaster, presidente da empresa.

A Seara/JBS está investindo cerca de R$ 300 milhões na região. Investiu R$ 92 milhões em unidade de suínos de São Miguel do Oeste, que abate dois mil suínos por dia, e a meta é dobrar o abate, investindo mais R$ 35 milhões. Isso vai gerar mais 400 empregos. A empresa investe outros R$ 64 milhões em uma fábrica de rações. Há ainda aplicações nas unidades de Itapiranga e Seara, além de uma indústria de biodiesel em Mafra, no Norte do Estado.

A BRF, que no ano passado chegou a demitir 350 funcionários e suspender o contrato de mais 1,1 mil trabalhadores em Chapecó, recontratou e retomou os abates de perus em dois turnos em 2019. Planeja ainda ampliar os abates e gerar mais empregos na unidade de suínos em Campos Novos. Neste local está previsto investimentos de cerca de R$ 5 milhões para 2020, dedicados a ampliação de abate diário de suínos, com aumento de 7% do volume atual. E com o aumento da produção, está prevista também a contratação de profissionais para cerca de 100 novos postos de trabalho. Além disso, a planta conta com investimentos dedicados a modernização, na casa de R$ 2 milhões. Outra empresa, a Pamplona, converteu uma planta de aves em suínos, para ampliar o abate de 5,5 mil para 7,9 mil suínos por dia.

– Todos os nossos associados estão investindo em ampliações

físicas ou de operação. Acredito que essas ampliações e a retomada dos abates na unidade da BRF de Chapecó, por exemplo, representam um incremento de R$ 3 bilhões no movimento econômico aqui no Estado, em um ano. Não só com o investimento das indústrias, mas também dos parceiros que ampliaram aas granjas. Isso vai melhorar o movimento econômico e o retorno do Fundo de Participação dos Municípios. Começamos o ano com 60 mil empregos diretos e vamos crescer 10% neste ano. Com perspectiva de mais crescimento para 2020 – comenta Jorge de Lima, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Carne e Derivados.

Lima cita que o modelo catarinense de tributação e a sanidade diferenciada são atrativos para investimentos e isso deve ser preservado. Além de buscar melhorar a infraestrutura e alternativas para o fornecimento de milho. Diz ainda que o agronegócio corresponde por quase 70% das exportações catarinenses.

Impacto no economia global

Para o secretário da Agricultura do Estado, Ricardo Gouvêa, o momento tem um impacto muito grande na economia catarinense de maneira global.

– Isso favorece toda uma cadeia produtiva que está atrelada às agroindústrias. Temos informações de ampliação de fábricas de embalagens e etiquetas, por exemplo. O setor de transportes também é beneficiado. Os investimentos voltaram ao Estado e passamos de 50% na participação das exportações de suínos do Brasil – aponta Gouvêa.

Oportunidade para a modernização das fábricas e crescimento da economia

O presidente da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), José Antônio Ribas Júnior, reconheceu que o momento de grande demanda vai elevar o preço das carnes, mas ressalta que a proteína estava desvalorizada pelas crises passadas. O dirigente justifica que a valorização vai permitir a modernização das fábricas e beneficiará a economia.

– O agronegócio mais uma vez está sendo a mola propulsora da economia e tem um movimento que pode tornar o setor como o novo Vale do Silício. A tecnologia 4.0 está muito presente nas granjas, nas indústrias, com startups voltadas para o agro – argumenta Ribas.



Fonte: NSC Total
Autor: Darci Debona



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