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Categoria: Empresas

São Paulo, SP, 16/04/2018 |

Novo conselho da BRF continuará dividido



A disputa de poder na BRF, entre os fundos de pensão Petros e Previ e o empresário Abilio Diniz, deve terminar sem vencedores. Nem as fundações farão o conselho de administração que almejavam quando iniciaram o movimento para a reforma do colegiado, nem Abilio formará o grupo que pretendia para conduzir a empresa. É esse o resultado que deve sair de uma assembleia em que o conselho será formado por uma eleição com adoção do sistema de voto múltiplo.

Na quinta-feira à noite, a gestora de recursos Aberdeen, dona de 5% da BRF e aliada dos fundos de pensão, solicitou à companhia que o voto no conselho seja feito nominalmente, e não mais em chapa.

O pedido veio um dia após a empresa americana de assessoria de votos ISS - que tem forte influência sobre detentores de recibos de ações listados (ADRs) na Bolsa de Nova York - recomendar a chapa de conselheiros defendida por Abilio, e não a das fundações. Os estrangeiros donos de ADRs respondem por quase 9,5% do capital da BRF, segundo informações do site da companhia.

Fundos de pensão, Aberdeen e a gestora carioca Jardim Botânico, que lideram os esforços para reforma do conselho, detêm juntos quase 30% da BRF. Abilio mais os herdeiros da Sadia têm em torno de 10%. Caso a gestora Tarpon, dona de 7,3%, mantenha-se aliada ao empresário, o grupo chegaria a perto de 20%.

A Tarpon foi responsável pela indicação de Abilio à presidência do conselho da BRF em 2013, apoiada na época pela Previ. No ano passado, contudo, a união entre Abilio e Tarpon foi abalada.

No voto múltiplo, a contagem é feita sobre o capital presente à assembleia, e não sobre o total. Na média, os últimos cinco encontros anuais da BRF registraram participação de detentores de 78% do capital total. Em uma matemática simplificada, esse percentual indica que o grupo dos fundos de pensão tem condição de garantir, no mínimo, quatro participantes para o conselho e Abilio, a depender do apoio, de dois a três membros.

Ao todo, o novo colegiado, conforme colocado em votação na assembleia, deverá ter 10 membros. Tudo indica que o resultado final será ainda um conselho dividido.

Peter Taylor, diretor da Aberdeen no Brasil, disse que o pedido de voto múltiplo teve como objetivo preservar o apoio às fundações. Ele explicou que estrangeiros que escolhessem a chapa apresentada por Previ e Petros teriam os votos desconsiderados se, de última hora, fosse adotado o voto múltiplo (que poderia ser solicitado até 48 horas antes da assembleia). Para Taylor, a instalação do processo desde já permite que o estrangeiro compreenda melhor o cenário. Ele disse que a decisão de Abilio de indicar uma chapa concorrente - mas 70% idêntica à das fundações - confundiu os estrangeiros.

A preferência da ISS pelo grupo de Abilio ou as desconsiderações de voto na chapa poderiam prejudicar o resultado pretendido pelas fundações. No relatório, a assessoria também recomendou a abstenção dos investidores no caso de eleição por voto múltiplo.

Antes do pedido do voto múltiplo, a expectativa dos articuladores de Abilio era que os acionistas estrangeiros prefeririam o grupo proposto por ele, que tinha o ex-ministro Luiz Fernando Furlan na cabeça de chapa. A chapa sugerida pelo empresário poderia dar conta de dois problemas: terminaria com o protagonismo de Abilio, que incomodava o mercado, e elegeria um conselho com um presidente que conhece o negócio - Furlan é herdeiro da Sadia. Na chapa das fundações, o presidente é Augusto Cruz, atualmente à frente do conselho da BR Distribuidora.

Com o voto múltiplo, a definição do novo presidente é feita em assembleia pelos presentes e somente após a eleição, um a um, dos dez membros do colegiado, explicou a advogada Ana Carolina Passos, sócia da área societária do Cescon Barrieu.

A lista de candidatos a conselheiros da BRF, que contêm nomes trazidos pelas fundações e por Abilio e Furlan, não traz executivos com experiência na gestão da longa cadeia agropecuária e industrial da BRF. Mesmo os nomes sugeridos de última hora por Furlan - Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, e Vicente Falconi, reestruturador de empresas - não supririam essa deficiência. A ausência de conhecimento no setor era, aliás, a principal crítica dos herdeiros das Sadia aos nomes defendidos pelos fundos de pensão.



Fonte: Valor
Autor: Redação



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