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Categoria: Empresas

São Paulo, SP, 19/01/2018 |

JBS encerra programa de desinvestimentos com R$ 1,2 bi a menos



Apesar da rapidez com que reduziu a alavancagem desde a delação premiada dos irmãos Batista, a JBS não conseguiu bater a meta de angariar R$ 6 bilhões no programa de desinvestimentos. Considerando os US$ 200 milhões (R$ 646,5 milhões) que receberá pela Five Rivers, cujo acordo para venda foi anunciado anteontem, a companhia obteve R$ 4,768 bilhões, ou seja, R$ 1,232 bilhão a menos que o esperado.

Os recursos obtidos pela JBS na venda de ativos foram em grande parte canalizados para pagar dívidas com bancos no Brasil. Como parte do acordo firmado com as instituição financeiras para rolar, por 12 meses, uma dívida da ordem de R$ 20,5 bilhões, a companhia concordou em direcionar 80% dos recursos líquidos das vendas de ativos para reduzir a dívida.

Quando anunciou que venderia os ativos para diminuir o endividamento, em 20 de junho do ano passado, a JBS estimou "uma entrada de recursos de aproximadamente R$ 6 bilhões" com a alienação da fatia de 19,2% que detinha na Vigor, da subsidiária irlandesa Moy Park e da Five Rivers e fazendas. Na mesma ocasião, esclareceu que a venda dos frigoríficos no Mercosul à Minerva, que rendeu cerca de R$ 1 bilhão à JBS, não estava incluída nesses R$ 6 bilhões.

Ainda em junho, a JBS anunciou o primeiro desinvestimento. Por US$ 40 milhões, ou R$ 127,5 milhões na cotação do dólar na época, passou à MCF Holdings a operação de confinamento e uma fazenda adjacente em Alberta, Canadá.

Em setembro, completou o segundo e mais importante negócio. Em uma operação feita dentro de casa, vendeu a empresa de carne de frango irlandesa Moy Pak à Pilgrim's Pride. Segunda maior indústria de carne de frango dos EUA, a Pilgrim's é listada na Nasdaq e controlada pela JBS USA, com cerca de 75% da empresa.

A Moy Park foi avaliada em cerca de 1 bilhão de libras esterlinas, incluindo dívidas (entreprise value). Efetivamente, a JBS no Brasil recebeu 790 milhões de libras (equity value). Pela cotação da moeda britânica no dia 11 de setembro, data da transação, a companhia brasileira recebeu R$ 3,209 bilhões.

Em meados de outubro foi a vez da venda da Vigor, então controlada pela J&F Investimentos, holding da família Batista, ser concluída. No dia 26, a JBS informou que a participação que tinha na empresa de lácteos foi avaliada em R$ 1,112 bilhão, incluindo dívidas. Mas o valor efetivo (equity value) que entrou no caixa foi R$ 786 milhões.

Por fim, a JBS chegou ontem à venda da Five Rivers, que engloba os confinamentos nos EUA. Fechada por R$ 200 milhões, a transação ainda depende de aprovações societárias, do órgão antitruste dos EUA e da obtenção do financiamento pela compradora Pinnacle Asset Management.

Desde setembro, executivos da JBS vinham dizendo que a venda da Five Rivers estava próxima, mas as negociações demoraram um pouco mais do que o esperado porque a empresa teve de amarrar um contrato de longo prazo com a Pinnacle para que o gado confinado na Five Rivers seja vendido aos frigoríficos da empresa nos EUA.

Ao Valor, uma fonte próxima à JBS argumentou que a expressão "entrada de recursos", utilizada no anúncio de junho, foi "infeliz" e pode dar a impressão de que a empresa não atingiu a meta. No entanto, o objetivo de reduzir a dívida foi alcançado. De fato, a JBS já reportou uma agressiva redução do índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda), que saiu de 4,2 vezes em março a 3,4 vezes em setembro. Trata-se da menor alavancagem entre as companhias do segmento listadas na B3.

A mesma fonte também ponderou que a redução da dívida será menor do que o esperado porque a JBS continuou a consolidar o passivo da Moy Park. Isso não ocorreria se a irlandesa tivesse sido vendida para a concorrência - o plano original. Mas a solução Pilgrim's foi uma saída interessante, disse. Com isso, a JBS manteve um ativo rentável no Reino Unido e, de quebra, trocou a dívida mais cara no Brasil por uma mais barata nos EUA, onde a Pilgrim's Pride emitiu títulos com juros anuais inferiores a 6%.






Fonte: Valor Econômico
Autor: Luiz Henrique Mendes



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