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NOTÍCIAS
Aumento de insumos e queda de consumo em 20% agravam crise no setor avícola




Fortaleza , 20/07/2021


Neste ano, as dificuldades afetaram severamente a atividade avícola. A queda de renda da população implicou em redução de cerca de 20% do consumo de carne de frango nos últimos seis meses, conforme levantamento da Associação Cearense de Avicultura (Aceav). O elevado custo de energia elétrica, milho, soja, combustível, embalagem e a impossibilidade de repassar aumento dos insumos para o produto final traz um quadro de prejuízo para os avicultores na visão da Aceav.

“Estamos na corda bamba e sem alternativas. É um momento que precisamos de paciência, esperar a retomada da economia para se manter na atividade”, declara João Jorge Reis, Presidente da Associação Cearense de Avicultura (Aceav)

O preço do quilo vivo de frango para dar um retorno mínimo aos produtores deveria ser repassado por R$ 7,00. Hoje varia entre R$ 6,00 e R$ 6,20, ou seja, as unidades produtoras trabalham no prejuízo ao longo deste ano.

Os números revelam o tamanho da crise. Uma saca de 60 quilos de milho, há um ano, variava entre R$ 45,00 e R$ 50,00 e hoje oscila entre R$ 90,00 e R$ 95,00. “O grão é o principal insumo usado na alimentação das aves”, observou o técnico agrícola que dá assistência a dezenas de unidades produtivas no interior cearense, Fernando Cavalcante. “O valor do milho mais do que dobrou nos últimos doze meses, impactando o custo da criação”.

O produtor de frango e ovos, em Iguatu, Amauri Carneiro, reclamou do aumento do preço do milho em plena safra. “O Brasil registra uma das maiores safras do grão, mas, há quinze dias, o valor da saca de 60 quilos subiu de 82 reais para 94 reais”, comentou.

O cenário é de preocupação para os avicultores e se caracteriza por redução da margem de lucro.

“Mesmo com o aumento elevado da carne bovina não ocorre crescimento no consumo de frango, porque o poder aquisitivo da população está baixo, sem um auxílio emergencial mais significativo a exemplo do que foi praticado no ano passado. Os nossos custos aumentaram, mas não podemos repassá-los porque vamos vender menos”, lamenta João Jorge Reis.

EXPECTATIVA

Diante desse quadro complexo que afeta o setor, os avicultores vivem a expectativa de que as coisas vão melhorar a partir dos indicadores epidemiológicos da pandemia da Covid-19. Entretanto, analistas ficam com o pé atrás. “Economia não combina com esperança e os números revelam um dilema para o modelo de negócio, afetando as empresas pequenas”, analisou o economista, Túlio Holanda. “Será que as pequenas empresas terão fôlego para enfrentar uma crise mais demorada?”

Os granjeiros de grande porte que dispõem de capital, compram milho em grande quantidade e fazem estoque suficiente para seis meses ou um ano e conseguem suportar a crise atual, mas os pequenos produtores não têm essa capacidade. “Esses compram os insumos sempre com os preços elevados e a conta não fecha entre o custo de produção e o valor de venda do quilo de frango no mercado”, observou Cavalcante.

Amauri Carneiro está no setor há 30 anos, em Iguatu. Produz 60 mil aves por semana e 85 mil ovos por dia. Ele observa, entretanto, que as granjas do interior têm menor impacto em comparação com unidades de grandes cidades. “A economia de uma cidade pequena sofre menos porque a maioria dos empregos são públicos e esses recursos continuam regularmente, além de já terem um patamar baixo”, disse. “No âmbito nacional, voltamos ao consumo de dez, vinte anos”.

Em face do aumento do preço do milho, os avicultores decidiram de forma conjunta importar do Mercosul 90 mil toneladas do grão, que é o principal insumo da ração das aves “para manter a segurança de abastecimento, com preço de entrada abaixo do valor do mercado nacional em torno de 5% a 8%”, disse Reis.

Fernando Cavalcante reforça que o principal impacto dos custos é a aquisição do milho e ele acredita que até o fim do ano, a saca de 60kg chegue a R$ 100,00, impactando ainda mais de forma negativa, o setor.

No Ceará, a criação de frango é concentrada na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) que responde por 75% e o interior por 25%. O setor estima uma produção mensal de 26 mil toneladas de carne de frango e de 190 milhões de ovos.


Fonte: Diário do Nordeste
Autor: Honório Barbosa






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