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Next Gen Foods: como a startup quer se tornar líder mundial da categoria de frango à base de plantas




Campinas, 19/07/2021


Ingressar em um mercado novo já não é fácil, fazer isso enquanto uma pandemia começa a assolar o mundo é mais complicado ainda. Contudo, a startup Next Gen Foods se arriscou e, agora, colhe os frutos da empreitada.

A história da empresa criada pelo alemão Timo Recker e pelo brasileiro André Menezes iniciou em abril de 2020, em Cingapura. O objetivo: inovar o setor de alimentos.

Menezes é ex-executivo da BRF e diz que a oportunidade de trabalhar na companhia por seis anos o fez entender o mercado de carnes globalmente e os pontos positivos e negativos do ramo.

Para ele, o sistema de produção ainda é ineficiente. “Eu comecei a entender que a agropecuária foi importante para nos trazer onde estamos hoje mas, olhando para frente, daqui 20 ou 30 anos, não é a resposta para alimentar 10 milhões de pessoas com proteína de qualidade e com propriedades de gosto e sabor que a gente goste”, afirma André Menezes, que também é CEO da startup.

Neste contexto surge a foodtech Next Gen Foods, que utiliza tecnologia para desenvolver produtos à base de plantas. Em meados de novembro de 2020, a empresa fez uma rodada seed e despertou o interesse de investidores como Temasek e Venture Capital com base na Ásia K3 Ventures, tanto que a rodada se encerrou em US$ 10 milhões.

De acordo com a Pitchbook, essa foi a maior rodada de todos os tempos para uma startup de alimentos à base de plantas. A intenção dos executivos era utilizar o montante para fazer o lançamento da marca em 2021, evoluir na região para captar recursos e, assim, entrar nos quatro mercados principais, que Menezes diz ser Estados Unidos, Europa, Brasil e China.

“Nosso sistema de produção de alimentos não é sustentável. Isso significa que existe uma indústria de US$ 1.4 trilhão no mundo, que é a indústria de carne, que está usando uma tecnologia de dois a três mil anos de idade que é a agropecuária que, embora tenha evoluído, é restrita pela questão biológica dos animais”, afirma Menezes.

“Os animais não foram feitos para ser comida, não evoluíram para se tornar o melhor alimento para a gente. Isso também tem relação com a questão de saúde e sanitária. Por conta da aposta de que isso precisa mudar, os investidores estão muito interessados neste setor”, explica ele.

Além disso, o CEO pontua que os grupos querem aplicar capital em companhias que tenham capacidade de crescimento e de produção com diferenciais, seja no produto, na marca ou na tecnologia.

Andar rápido, mas sem pressa

A Next Gen teve um início promissor, e os fundadores pretendem continuar a jornada da startup com os pés no chão, sem se apressar nas etapas. Com isso, em março de 2021 foi lançada a marca Tindle, de frangos feitos à base de plantas. O produto atualmente é comercializado em Cingapura, Hong Kong e Macau e, até o final de 2021, o objetivo é que ele esteja em mais cinco mercados.

Em uma segunda rodada de capitação, a foodtech recebeu aporte de US$ 20 milhões de novos investidores, que incluem a GGV Capital, Bits x Bites, Yeo Hiap Seng, Chris Yeh, e o jogador de futebol Dele Alli, do Tottenham.

O valor será usado para impulsionar a entrada do Tindle nos Estados Unidos, principal mercado de carne vegetal do mundo. “Já estamos estabelecendo nossas bases no país para estar no mercado nos próximos 12 meses, à medida que aceleramos nossa meta de nos tornar o líder mundial da categoria de frango a base de plantas”, diz o CEO.

O processo de produção do alimento começou com o entendimento de o que o frango significa para o consumidor e os clientes – que são os chefs de cozinha e restaurantes. Eles concluíram que o produto teria como base três elementos: o aspecto fibroso da carne, o gosto característico do frango, que vem da gordura, e a versatilidade da proteína.

Para desenvolver a fibra, foi feito um processo de isolamento e extrusão; a gordura foi elaborada por meio de um método de emulsão baseado em óleo de girassol com o sabor de frango criado naturalmente, sem elementos de origem animal.

Já a versatilidade não teve tanto segredo. “Basicamente, trouxemos outros elementos, produtos e processos, desde a água que vai no processo de produção até a fibra de aveia, que fazem com que a gente consiga um produto como se fosse um frango cru e os chefs de cozinha podem fazer o que eles quiserem”, pontua o executivo.

André Menezes analisa que os produtos orgânicos, feitos à base de plantas, tem um desafio com relação à acessibilidade, visto que a escala ainda é reduzida e, portanto, os preços são mais elevados.

Contudo, a longo prazo, a tecnologia é mais eficiente. Para ele, nada é pior do que os meios utilizados pela agropecuária. Porém, a escala de produção grande e otimizada faz com que o valor seja mais barato.

O choque de gerações

Os fundadores estudaram os consumidores dos produtos da Next Gen e analisaram que o público principal têm entre 18 e 35 anos e “cabeça global”, preocupados com o meio ambiente. Após essa faixa etária, o grupo percebeu que as pessoas são menos propensas a abandonarem o consumo de carne animal.

“Não é natural o que a gente faz hoje, é um gosto adquirido com a maneira que somos ensinados, com que as culinárias se desenvolveram e com a maneira que se fazer agropecuária se desenvolveu no mundo”, diz Menezes. “A nossa geração foi ensinada assim pelos nossos pais que não tinham nenhuma outra possibilidade, mas provavelmente a nossa geração vai passar para a próxima um ensinamento diferente”, completa.

Produtos à base de plantas no Brasil

De acordo com André Menezes, o Brasil é uma potência agrícola e agropecuária, e tem capacidade para ser o líder global do setor assim como é na produção de carnes e grãos. Para que isso ocorra, no entanto, é importante que o País tome decisões estratégicas no ramo, de modo a facilitar investimentos e desenvolver ciências e tecnologias.

Neste caso, o Brasil teria que se desafiar a sair do tradicional e apostar na inovação. Além disso, focar em meios de reeducar o consumidor para os impactos das escolhas feitas na sustentabilidade.

“O nosso produto, comparado com o frango animal, apesar de proporcionar a mesma experiência e gosto, tem 88% menos emissão de gás carbônico, 82% menos consumo de água e 74% menos consumo de terra para fazer nutricionalmente a mesma coisa”, explica.


Fonte: Época Negócios
Autor: Milena Tomaz






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