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Manejo e nutrição foram pontos de debate no último dia do Simpósio Brasil Sul de Avicultura




Campinas, SP, 08/04/2021


Para a abertura desta quinta-feira (08), último dia do Simpósio Brasil Sul de Avicultura, evento totalmente em formato digital desde a última terça-feira, foram realizados dois blocos de paineis, intitulados Manejo e Nutrição.

Para a abertura do Bloco Manejo, o Médico Veterinário Rodrigo Tedesco, da Aviagen, apresentou o tema "Manejo inicial em frangos de corte: os desafios no manejo inicial do frango de corte moderno frente às novas tecnologias de criação".


Rodrigo Tedesco, Médico Veterinário da Aviagen.

Segundo Tedesco, o ‘pilar manejo’ é um dos limitantes para a melhoria produtiva das aves e as casas genéticas estão constantemente trabalhando neste aspecto. “Estamos sempre analisando as predições, o que envolve as novas tecnologias de criação, com diferentes modelos”, disse. “Assim podemos ser mais assertivos no modelo de produção, principalmente analisando caso a caso, granja a granja”, afirmou. “Entender a necessidade para se ter bem claro o ‘que’ fazer, para saber ‘como’ fazer para garantir os máximos resultados”, destacou. “O objetivo é ter uma melhor gestão, com melhores análises de dados, com mais acurácia no processo produtivo”, afirmou. “Isso passa, inclusive pelo desenvolvimento das capacidades e habilidades dos manejadores, com atenção aos detalhes, paciência e muita prática”, disse.

Para Guimarães, o manejo da fase inicial requer cuidados redobrados, principalmente porque ela é a fase mais importante do ciclo de vida do frango. "O crescimento da ave é um processo dinâmico, regulado por uma série de fatores intrínsecos e extrínsecos ao animal – tais como controle de temperatura, de umidade, de ventilação e de qualidade de ar", frisou.

O potencial genético do frango de corte em 2030 será de 26 dias para atingir 2 kg vivo, conversão alimentar de 1,27 e um alto rendimento de carne (76% de carcaça e 29% de peito). Para isso, as ferramentas de manejo são essenciais.

O palestrante observou que um dos principais desafios da avicultura moderna é o controle do ambiente nas criações de frango de corte, levando-se em conta, principalmente, as variações climáticas enfrentadas durante as diferentes épocas do ano. As novas tecnologias contribuem para manter o rígido controle das variáveis envolvidas no processo de criação, visando a obtenção de altos desempenhos produtivos.

"O manejo inicial em frangos de corte deve ser responsável por proporcionar às aves o ambiente e as condições corretas, que atendam a todas as suas exigências nutricionais e fisiológicas. Assim se promove o desenvolvimento precoce de um comportamento alimentar e de consumo de água, otimizando o desenvolvimento dos intestinos, órgãos e esqueleto para apoiar o ganho de peso corporal durante todo o período de crescimento", explicou Guimarães.

A transição da incubadora para o aviário é outro aspecto importante. "O trabalho no aviário é uma continuidade do que foi feito no incubatório. No campo, o pintinho terá a parte do desenvolvimento e crescimento. O peso corporal de sete dias deve ser pelo menos quatro a cinco vezes maior do que o de um pintinho de um dia. Nos primeiros quatro a dez dias de vida ocorre um rápido crescimento celular. Nesse período, o crescimento depende da presença de alimento e flora intestinal e é inibido por estresse e más condições de criação", explanou.

Para garantir que não haja fatores ambientais ou nutricionais impedindo o crescimento, os detalhes no manejo são fundamentais. É preciso manter as condições ambientais recomendadas no momento do alojamento, tanto de temperatura do ar, quanto de temperatura da cama e umidade relativa. "Os pintinhos mantidos com os níveis de umidade certos são menos propensos à desidratação e, em geral, têm um rendimento inicial melhor, mais uniforme", salientou Guimarães, ao acrescentar que a temperatura e a umidade devem ser monitoras regularmente, mantendo os níveis adequados do ambiente para cada idade e período da criação.

Na sequência do Bloco Manejo, o Médico Veterinário Roberto Yamawaki, Gerente de Serviços Técnicos para América do Sul da Hubbard, falou sobre "Manejo final em frangos de corte: como extrair ao máximo o que a tecnologia da climatização oferece frente ao desempenho do frango moderno”.


Roberto Yamawaki, Gerente de Serviços Técnicos para América do Sul da Hubbard.

Os tópicos em destaque trazidos por Yamawaki foram a evolução do frango, a importância do custo alimentar, o efeito do sistema de ventilação na performance sazonal, a produção e eliminação de calor pelo frango moderno, a velocidade do ar, cooling e nebulização e a importância da velocidade de ar e densidade. “O melhoramento genético, a nutrição ambiência e o manejo, e até mesmo os aspectos sanitários, são os pilares que compõe a evolução do frango moderno”, disse.

Yamawaki ponderou que os investimentos tecnológicos na climatização dos galpões são imprescindíveis para proporcionar às aves o ambiente ideal para o seu desenvolvimento. No entanto, para além das instalações técnicas, ele atentou para o fato de a própria ave ser a principal agente responsável pela produção de calor na granja. Análises apontam que 92% do calor produzido no aviário é oriundo do próprio frango e somente 8% das instalações.

"A ave moderna, no processo de evolução genética, passou a gerar mais calor que o frango de antigamente e isso acontece porque ele consome muita energia, até 28% a mais que a ave de 50 anos atrás.
Em contrapartida, esse frango moderno é muito produtivo e sua idade para atingir o peso de abate reduziu sensivelmente".

O grande desafio é somar estratégias na temperatura, na umidade, na iluminação, na velocidade e na movimentação do ar para assegurar conforto térmico nas instalações avícolas, pois quando uma ave não consegue se livrar de todo o calor que ela produz, entra rapidamente em fase de desidratação e corre o risco até de morrer.

"Um ponto-chave para reduzir o calor é a velocidade que quanto maior, amplia-se a sensação de resfriamento na ave, especialmente nas mais leves. Esse recurso também se apresenta muito eficiente em frangos pesados durante períodos de clima mais crítico. A velocidade do ar também é importante para retirar o calor que fica preso no meio das aves", ressaltou.

O médico veterinário ainda chamou a atenção para questões importantes de estrutura, que vêm desde a construção do galpão, e fazem toda a diferença no controle da temperatura interna do aviário. Testes revelaram que aviários de parede atingem um desempenho superior em relação aos aviários de cortina no quesito climatização. Mesmo assim, independentemente do tipo de galpão, é fundamental que ele seja o mais vedado possível para assegurar uniformidade da velocidade do ar em toda a estrutura, principalmente em pontos mais críticos, como portões, a junção de telas e cortinas", ponderou Yamawaki. Em relação às divisórias, as de madeiras devem ser evitadas, pois bloqueiam o fluxo de ar entre as aves e aumentam a temperatura do animal que fica próximo a elas. Divisórias de plástico e metal, preferencialmente vazadas, são opções mais indicadas.

Cuidados simples também não devem ser deixados de lado. Os equipamentos, incluindo os exaustores e ventiladores, devem ser mantidos em perfeitas condições de funcionamento e uso, com limpeza periódica.

Em relação às tecnologias de climatização disponíveis, Yamawaki afirmou que nebulizadores e placas evaporativas são opções que podem ser combinadas com sistemas adequados de ventilação e usados, também, em aviários com pressão negativa. "Placas evaporativas atuam com o mesmo princípio dos nebulizadores, utilizando o calor do ar para evaporar água, diminuindo a temperatura do ar que entra no aviário. A grande diferença é que as placas evitam o problema de umedecimento excessivo da cama, que pode ser provocado pelo uso contínuo dos nebulizadores".

Sobre o manejo final do frango, o palestrante ressaltou que é uma das fases mais importantes da criação. E, por ser essa a fase em que as aves mais produzem calor, o valor de um sistema adequado de ventilação não deve ser subestimado. "Devemos lembrar que o principal produtor de calor é a própria ave e, além de produzir muito mais calor do que os seres humanos, o frango moderno também é mais sensível à umidade. A velocidade do ar é uma peça chave para baixar a temperatura, mas também devemos estar atentos para a manutenção dos equipamentos e instalações, bem como a uniformidade da velocidade do ar e da densidade das aves, que também são fatores imprescindíveis para extrair o máximo resultado do lote", concluiu.

E fechando o Bloco Manejo, José Luiz Januário, especialista de frangos de corte e suporte em ambiência para América do Sul da Cobb-Vantress, trouxe o tema "Recuperando os conceitos básicos de manejo para criação do frango de corte: Atualizações/Novidades em ambiência e manejo para o melhor desempenho do frango de corte atual".


José Luiz Januário, especialista de frangos de corte e suporte em ambiência para América do Sul da Cobb-Vantress.

Januário iniciou sua apresentação com alguns questionamentos para gerar reflexões:

- Quais são os pontos importantes para as aves neste cenário onde os custos são tão impactantes?
- Trabalhar ao máximo a eficiência dos processos para diluir estes custos?
- Devemos descuidar dos manejos básicos, das exigências essenciais para as aves?
- Vamos aprender com os erros e fazer diferente?
- Aceitamos ou não a tecnologia para nos ajudar?

“Sabemos que não vamos mais fazer as coisas do mesmo jeito do passado e não vamos deixar nossas aves passarem frio. Vamos tentar minimizar o calor para elas também! Vamos isolar melhor nossos galpões e fazer o possível, mesmo se a granja é convencional ou simples. Vamos ser eficientes no campo para diluir os custos, e assim, vamos dominar as melhores tecnologias”, apontou Januário.

Ele apresentou novas tecnologias e mostrou modernos aviários da Europa, Estados Unidos e Dinamarca, países com uma realidade diferente da brasileira e que enfrentam temperaturas muito baixas.

No Brasil, a necessidade de ventilação mínima e isolamento térmico é diferente em decorrência do clima no inverno e no verão. "Temos um clima mais quente, sendo mais comum negligenciar o extremo verão e o extremo inverno. É importante estarmos atentos e usar as tecnologias disponíveis para controlar as mudanças de temperatura".

Destacou que todas as estruturas, por mais simples que sejam, são eficientes para promover e oferecer melhores condições de conforto para aves de alta performance, desde que sejam tomados os cuidados de manejo. De acordo com Januário, é necessária atenção especial à umidade relativa, controlar a ventilação e o aquecimento.

"Aspectos simples, como a vedação de cortinas, mesmo que o galpão seja convencional e simples, é importante para economizar aquecimento e melhorar a uniformização do ar", frisou.

Além disso, existem várias opções de equipamentos que podem garantir bons resultados. "Melhorias de equipamentos mais simples como cortinas, forros, ventiladores e nebulizadores e até mesmo de maior investimento, como exaustores, placas evaporativas na entrada de ar, inlets ou janelas laterais são essenciais", explicou, ao acrescentar que as divisórias também exigem atenção.
Devem ter entre 30 e 40 metros, com densidade de aves adequada para cada estrutura.

Na sequência, para abrir o Bloco Nutrição, foi a vez de Alex Maiorka, Professor Titular de Nutrição Animal da Universidade Federal do Paraná, abordar o tema "Importância da estrutura da dieta para desenvolvimento do trato digestivo. Problemas relacionados ao mal desenvolvimento.”


Alex Maiorka, Professor Titular de Nutrição Animal da Universidade Federal do Paraná.

Ele abordou durante sua apresentação o tema sobre a ingestão de alimentos e o desenvolvimento do trato gastro intestinal, o impacto da estrutura do alimento no desenvolvimento do TGI e a estrutura do alimento e sua carga microbiana. “O TGI deve apresentar características estruturais que possibilitem a ingestão, a passagem, alterações (física e químicas) do alimento e a absorção dos produtos da digestão”, explicou.

Segundo Maiorka, na eclosão, o TGI está anatomicamente completo, mas a capacidade funcional de digestão e absorção imatura se comparada à de aves adultas. “Sofre, então, um processo de maturação que envolve adaptações morfofisiológicas complexas. Não há dúvida em afirmar que o desenvolvimento do TGI depende do adequado consumo de alimentos”, afirmou Maiorka.

E fechando o Bloco Nutrição e, também, o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, o Zootecnista Fernando Rutz abordou o tema "Interação dieta e estresse térmico: impactos fisiológicos e produtivos na produção de frangos de corte”.


O Zootecnista Fernando Rutz fechou nesta quinta-feira o Simpósio Brasil Sul de Avicultura.

Ele abordou o efeito da temperatura do ambiente na produção de calor e temperatura corporal dos homeotermos. “A ideia do sistema produtivo é manter sempre a ave na sua zona de conforto térmico. Objetivo hoje aqui é abordar a nutrição e a fisiologia na curva de desenvolvimento da ave”, disse Rutz. “Durante a resposta ao estresse, a corticosterona propicia a redução na imunidade intestinal e atua no direcionamento do fluxo sanguíneo para o cérebro e músculos esqueléticos, em detrimento do trato digestivo.
Em decorrência disso, ocorre hipóxia isquêmica intestinal resultando em perda de sua integridade (reduz vilosidade e cripta, mas aumenta o número de transportadores intestinais de nutrientes”, disse. “As catecolaminas propiciam a redução na quantidade de enzimas digestivas e inibem o peristaltismo”, explicou.

Segundo Rutz, o consumo alimentar excessivo é o desafio mais importante da saúde intestinal para o frango de corte atual. “O problema é acentuado na fase inicial de crescimento do frango porque a digestão e a absorção não estão completamente desenvolvidas”, disse. “A taxa de consumo alimentar é o desafio mais importante na saúde intestinal para o frango atual, especialmente nos frangos de idade mais avançada porque o estresse calórico ocasiona a oportunidade de excesso de consumo: empanturramento”, disse.

Rutz ainda deu uma ‘receita básica’ de dieta na relação manejo nutricional x estresse calórico:

- Mais eficiência
- Mais digestibilidade
- Maior suporte às enzimas digestivas
- Redução dos fatores antinutricionais
- Incremento da imunidade
- Menor estresse oxidativo

“Na verdade, não há uma única solução infalível para o controle do estresse gerado por calor. O êxito está na somatória de vários fatores”, finalizou Rutz.


Fonte: AviSite
Autor: Redação






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