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Eficiência no abatedouro e nas questões sanitárias marca o dia no SBSA




Campinas, SP, 07/04/2021


A eficiência no abatedouro e nas questões sanitárias marcaram os debates nesta quarta-feira (07), o segundo dia do Simpósio Brasil Sul de Avicultura, que acontece em formato totalmente digital.

Para garantir um produto de alta qualidade, toda a cadeia de proteína animal deve manter um controle sanitário rigoroso em todas as etapas, desde a produção até o abate e industrialização.

Na abertura do Bloco Abatedouro, Liris Kindlein, Pesquisadora do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva da Faculdade de Veterinária - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, abordou o tema "Atualizações no sistema de inspeção brasileira: Oportunidades e desafios".


Liris Kindlein, Pesquisadora do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva da Faculdade de Veterinária - Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Segundo ela, todo o trabalho de inspeção sanitária segue estudos técnicos científicos com processo para serem implementados. “Isto sempre com padronização, adequação dos equipamentos, higiene, e todos os sistemas de processamento, dentro das normativas federais. Somente com um objetivo: levar um alimento inócuo e com garantias ao consumidor”, explicou. “Trabalhamos também sobre os principais aspectos que levam às condenações nos abatedouros seguindo inclusive os principais aspectos da indústria brasileira, em um compartilhamento de responsabilidade para que não tenhamos veiculação de doença animal que afete a saúde pública. São tomadas, assim, medidas de controle baseadas em fatores de risco”, explicou.

Ainda segundo ela, a opinião científica trabalha com o cruzamento de dados com base da análise de risco (agentes) x condenações de carcaça. “Os resultados assim podem vir a proporcionar ganhos à saúde pública, dar segurança aos consumidores e garantir a competitividade do segmento avícola”, afirmou.

O Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA), que faz parte do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), padroniza e harmoniza os procedimentos de inspeção de produtos de origem animal para garantir a inocuidade e segurança de alimentos.

Liris frisou que o Brasil exporta produtos de origem animal para 180 países e as legislações e suas atualizações são fundamentais para salvaguardar a saúde do consumidor, assegurando a qualidade higiênica, sanitária e tecnológica dos alimentos industrialmente processados. "As modernizações são necessárias, pois surgem cada vez mais demandas regulatórias internas e externas", comentou, ao acrescentar que as novas legislações deixam evidentes também a amplitude da inovação tecnológica em toda a cadeia produtiva.

O Decreto nº 10.468, de agosto de 2020, atualizou o Decreto nº 9.013 – Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária dos Produtos de Origem Animal (Riispoa) – que regulamenta a Lei nº 1.283 de 1950 e a Lei nº 7.889 de 1989, que dispõem sobre a inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal. A regulamentação determina questões relacionadas ao pré-abate (captura, transporte, espera e pendura) e abate (insensibilização, sangria, escaldagem, depenagem, evisceração, pré-resfriamento, resfriamento, gotejamento, classificação, embalagem e armazenamento). A atualização trata de inovações tecnológicas, autocontrole e análise de risco.

Outra legislação citada por Liris é a Portaria 210 de 1998 – Regulamento Técnico da Inspeção Tecnológica e Higiênico-Sanitária de Carne de Aves – que determina questões relacionadas à padronização dos métodos de elaboração dos relatórios de instalações, equipamentos, higiene do ambiente, processamento para o abate e a industrialização de carne de aves, além da inspeção ante e post mortem.

Liris enfatizou que as normas precisam garantir que as aves tenham saúde para que possam ser convertidas em alimentos seguros para a população. Novas propostas estão sendo estudadas para assegurar a eficiência e a qualidade em todo o processo produtivo. Entre elas, a avaliação de nova tecnologia a ser empregada no processo de abate, com análise da qualidade higiênico-sanitária de carcaças submetidas à lavagem após o processo de evisceração.

Outra proposta em avaliação é compartilhar responsabilidades com a indústria, em um processo em que setores público e privado atuam conjuntamente. Liris citou, ainda, a proposta de projeto piloto para nova normativa para modernização da inspeção sanitária em abatedouros com inspeção baseada em risco.

Os resultados dos estudos apresentados por Liris trazem diversos benefícios. "Podem vir a proporcionar ganhos à saúde pública, dar segurança ao serviço de inspeção, compartilhar responsabilidades com a indústria, maior produção de alimento e competitividade mundial do setor avícola".

Continuando o Bloco Abatedouro do Simpósio Brasil Sul, foi a vez de Wim Tondeur, pesquisador e Médico Veterinário da University of Utrecht, falar sobre o "Efeito do manejo pré-abate sobre os níveis de condenação na indústria Europeia”.


Wim Tondeur, pesquisador e Médico Veterinário da University of Utrecht.

Segundo ele, em muitos países, o consumidor está cada vez mais interessado na qualidade da carne que consome. “Por isso é importante entender os números de condenações nos abatedouros na Europa, quais são as lesões mais comuns e seus impactos econômicos”, disse.

Ele explicou que hematomas e sangramentos, normalmente, são rejeitados pelo consumidor. “Há muito 'preconceito' e desinformação sobre isso. Sobre a legislação europeia, ela é muito similar à brasileira”, afirmou.

Segundo Tondeur, muitos abatedouros europeus hoje possuem câmeras de vídeo, o que torna mais fácil obter dados sobre as carcaças. Ele ressaltou o quão importante é coletar e analisar esses dados em busca de aprimorar os processos, evitar perdas e melhorar a qualidade da carne que chega ao consumidor. "É preciso traduzir isso em valor econômico para convencer que essas perdas de carcaça são significativas. Temos também muitas coisas que passam ocultas e talvez o monitoramento por vídeo seja uma boa ferramenta para auxiliar na inspeção", disse.

Para concluir, ressaltou a relevância de monitorar as lesões de carcaças para compreender problemas subclínicos, como miopatias e questões esqueléticas; destacou a confiabilidade do sistema de monitoramento por vídeo na análise de carcaças e chamou a atenção para um aspecto subestimado e que afeta a qualidade da carne, que são as mudanças post mortem.

E fechando o Bloco Abatedouro no segundo dia do Simpósio Brasil Sul de Avicultura, Everton Luís Krabbe, Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves abordou o "Efeito do manejo pré-abate sobre os níveis de condenação na indústria Brasileira".


Everton Luís Krabbe, Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves

"Compartilhamos as preocupações dentro da lógica de otimização e sustentabilidade da cadeia produtiva. "Estamos sempre pressionados. No momento é o alto custo de produção. Em outro momento, é o consumidor que coloca em questão a qualidade dos nossos produtos. Isto é muito problemático", afirmou. “Dentro de uma contextualização, é preciso avaliar a legislação, a segurança alimentar, aspectos mercadológicos, lembrar que a inspeção é subjetiva, seus impactos econômicos e os avanços tecnológicos ligados ao pré-abate”, detalhou.

Krabbe frisou que o período de pré-abate é de menos de 12 horas. "Representa 1% do tempo da criação do frango. É pouco tempo para reduzir perdas". O processo de manejo pré-abate está inserido em vários aspectos da cadeia de produção de aves. Cada País possui uma legislação e, de acordo com Krabbe, os critérios precisam ser rígidos e éticos para que o alimento comercializado seja seguro e de qualidade. "Mesmo que seja pouco tempo, as perdas são significativas", acrescentou.

A média de condenação de carcaças no Brasil era de 6%, de acordo com estudos realizados até 2011. As principais causas eram contaminação e lesões traumáticas. Estudos mais recentes mostram redução de problemas relacionados ao período pré-abate, mas as causas se mantêm as mesmas.

Aspectos como número de aves nas caixas de transporte, apanha, tempo de jejum pré-abate, logística de transporte, turno do carregamento das aves, hidratação das aves durante o jejum, temperatura e umidade nas estruturas de espera influenciam na qualidade das carcaças. "Atualmente, o índice de condenação no Brasil é de 2,62%, maior que na América e Latina e em outros países, mas a tendência é de redução", realçou o palestrante.

Krabbe ressaltou que o manejo pré-abate é um momento relativamente curto, porém de extrema relevância no resultado econômico dos lotes, assim como o atendimento à legislação é fundamental. "Um adequado planejamento das etapas do período pré-abate é muito importante", reforçou.

De acordo com o palestrante, a desuniformidade dos lotes segue sendo um grande desafio, especialmente em função da crescente automação dos processos. Krabbe comentou, ainda, que os índices de condenações são muito distintos entre as empresas. Também relatou que o Brasil, em comparação com outros países, apresenta níveis mais elevados de condenações. Para melhorar os indicadores, ter profissionais capacitados é fundamental. "Além disso, o desenvolvimento de novas tecnologias poderá aportar ganhos tanto no bem-estar das aves, na ergonomia dos trabalhadores e nos ganhos econômicos", concluiu o palestrante.

E abrindo o Bloco Sanidade, Mateus Matiuzi, Médico veterinário da Universidade Federal de Santa Maria, destacou a "Multiresistência bacteriana ligada a E. coli e os impactos na cadeia de produção de aves".


Mateus Matiuzi, Médico veterinário da Universidade Federal de Santa Maria.

Os perigos da resistência bacteriana foram um dos temas debatidos por Matiuzi. "Temos o uso de antimicrobianos na produção animal, mas eles têm que ser muito bem planejados", disse. “Quando falamos de resistência, falamos do conjunto de genes envolvidos (Resistoma), nas pequenas moléculas (proteínas e enzimas), etc. Isto serve de moléculas de sinalização. As drogas antimicrobianas servem como 'comunicação', por isso, é importante mudar a relação com estes micro-organismos. A alta resistência e a virulência 'caminham juntas'. Elas tendem a estar conectadas ", explicou.

E na sequência, para fechar o Bloco Sanidade com o tema "Laringotraqueíte Infecciosa: Prevenção e Controle”, foi a vez de Guillermo Zavala, Médico Veterinário e pesquisador da College of Veterinary Medicine, da University of Georgia.


Guillermo Zavala, Médico Veterinário e pesquisador da College of Veterinary Medicine, da University of Georgia.

Segundo ele, é importante dizer que a Laringotraqueíte Infecciosa não é um problema de uma só região, é economicamente muito relevante e que já afetou muitos países nas Américas. “Países exportadores de carne de frango, como o Brasil, precisam ficar muito atentos, pois são grandemente impactados”, disse. “Ações como a ativação de um comitê de emergência, o desenvolvimento de programas de conscientização e educação, quarentena de granjas infectadas, geolocalização de granjas infectadas, uso de rotas de biosegurança de baixo risco, descarte sanitário das aves mortas, vazio sanitário de 3 semanas, em média e tratamento térmico do esterco são muito importantes”, disse. “A LTI é extremamente infecciosa e causa perdas econômicas significativas e impede a exportação. Seu controle depende de um correto processo de biosegurança”, disse.


Fonte: AviSite
Autor: Redação






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