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CIÊNCIA & TECNOLOGIA - Trabalhos Técnicos

Nutrição

Micotoxinas - A Importância do Gerenciamento, dos Métodos Diagnósticos Corretos e da Escolha do Produto Certo Para Evitar seus Efeitos Deletérios Sobre a Produção Animal

Julho 2007 Alba Fireman 1. A CONTAMINAÇÃO FÚNGICA Apesar de haver tanto tempo da descoberta dos efeitos danosos das micotoxinas, ainda há certa resistência de alguns profissionais, é certo que cada vez menos, em aceitarem orientações para o gerenciamento do controle destes metabólitos de fungos em suas matérias primas e rações. Todavia a urgência em aderir ao controle da presença de fungos e micotoxinas vai além dos prejuízos causados no desempenho animal, refletidos na economia da indústria; é um problema de saúde pública, de segurança na cadeia alimentar. Já há mais de 400 espécies de micotoxinas conhecidas e muitas outras novas ainda estão sendo descobertas, elas são produzidas por mais de 100 espécies de fungos diferentes e têm formas químicas diversas (Mallmann et al. 2005). Não há dúvidas de que a contaminação fúngica, principalmente nos climas tropicais e sub-tropicais, como o do Brasil, é favorecida pelas condições de temperatura e umidade. Mas, a contaminação fúngica não ocorre somente na armazenagem dos grãos, pode ocorrer durante praticamente todas as fases do desenvolvimento do grão. Vem daí a necessidade do gerenciamento deste controle desde o momento de chegada do grão no armazém. 2. OS CONTROLES a. SECAGEM A secagem para o armazenamento é uma prática que carrega uma grande importância dentro do processo, pois a redução da umidade do grão reduz em muito a possibilidade de contaminação fúngica, como também os sistemas de aeração dos silos. No entanto, a umidade do grão por si só não conta toda sua história, há outro aspecto fundamental a ser observado e controlado muito precisamente: a atividade de água do grão, que pode ser muito semelhante em grãos com diferentes umidades. A atividade de água é a relação entre a pressão do vapor de água na solução e a pressão do vapor de água na água pura e expressa, basicamente, a quantidade de água disponível para o crescimento microbiológico, estando acima de 0,65 sinaliza alto risco de contaminação (Samapundo et al., 2005). Esta é uma análise essencial para as companhias que querem implantar um controle sério de contaminação fúngica em suas unidades. b. ÁCIDOS ORGÂNICOS Há muitos anos se sabe que a acidificação reduz a contaminação microbiológica. Há um trabalho publicado em 1906 por Watkins, que mostrou que uma leve acidificação com ácidos orgânicos na farinha reduziu significativamente a contaminação bacteriana do pão; e data de 1938 (Hoffman et al) uma das primeiras publicações que apresentaram o ácido propiônico como um eficiente agente antifúngico. Hoje em dia, o uso de ácidos orgânicos para o controle do crescimento fúngico já está muito bem estudado. As primeiras tentativas de uso com o ácido propiônico puro trouxeram a experiência de que a corrosão dos equipamentos seria inevitável, então cada vez mais as empresas produtoras de ácidos orgânicos se especializaram em produzir misturas de ácidos puros com seus sais para evitar a corrosão de equipamentos e melhorar a eficiência de ação dos produtos, aproveitando o sinergismo entre as diferentes espécies de ácidos e ainda reduzindo o custo de inclusão. Esta é uma ferramenta indispensável para as indústrias. 3. GERENCIAMENTO De acordo com Mallmann et al. (2005) o primeiro ponto crítico do gerenciamento de micotoxinas é a amostragem e o último é a tomada de decisão, que muitas vezes passa a ser a parte mais difícil, já que leva em conta a redução do impacto da intoxicação, em relação ao custo benefício. Atualmente, através de uma prática simples recomendada pela Comissão de Normas da EU (Amtsblatt der Europäische Gemeinschaften N L 102/1, TEIL II, 1976 e Futtermitteelrecht mit Typenliste fur Einzelund Mischfuttermitteln, 1994) e adaptada no Brasil pelo LAMIC (laboratório de análises micotoxicológicas) da Universidade de Santa Maria, RS, é possível coletar amostras com a segurança da representatividade de uma coleta realizada de minuto a minuto. Cada companhia deve planejar o seu programa de amostragem de forma a considerar vários aspectos que vão desde a concentração de micotoxinas que pretende aceitar ou devolver um lote de grãos até o custo total do programa de amostragem. Tendo conhecimento do prejuízo que causa a alimentação de animais com dietas contendo micotoxinas, a industria tem condições de calcular de forma muito simples o custo de seu programa de amostragem. a. DIAGNÓSTICO Há metodologias químicas e testes de imuno-ensaio para quantificar a contaminação por micotoxinas. Os kits de imuno-ensaio têm-se tornado muito populares, mas, um aspecto muito importante a considerar é que as colunas de imuno-afinidade jamais podem substituir os métodos químicos; podem na melhor das hipóteses, servir como técnica preliminar para uma semiquantificação ou triagem, em casos excepcionais. De acordo com boletim técnico publicado por Diaz (2005), há um número de limitações na técnica de imuno-ensaio que têm gerado resultados muito pouco confiáveis em uma área tão importante como a toxicologia alimentar animal e humana. O autor descreve limitações que vão desde o próprio fundamento do ensaio, que se baseia na produção de anticorpos específicos para micotoxinas, quando estas moléculas não são imunogênicas, até suas características analíticas, variabilidade de resultados e sua limitação de uso em rações ou alimentos complexos. Como não é considerada uma técnica analítica final, precisando ser confirmada mediante métodos químicos, o seu uso, além de impreciso, torna o controle mais caro. Através de métodos químicos obtêm-se diagnósticos muito precisos, específicos e confiáveis. O Brasil está na vanguarda destas análises, temos um laboratório certificado pelo INMETRO, com certificação ISO 17025, credenciado pelo Ministério de Agricultura e controlado pelo Food Analysis Performance Assessment Scheme, com amostras bimestrais. Entre os métodos químicos temos a Cromatografia em Camada delgada (TLC), e a Cromatografia Líquida de Alta Resolução (HPLC); mais recentemente já encontramos o HPLC acoplado à detecção por Espectofotometria de massa (HPLC/MS e HPLC/MS/MS) e também a Cromatografia Gasosa acoplada ao MS (GC/MS). b. AMOSTRAGEM Conforme afirmaram Miraglia et al. (2005), a amostragem é a atividade mais importante no monitoramento de micotoxinas. Os autores escreveram uma visão holística deste monitoramento, baseada em dois passos principais, sem os quais um bom programa não pode ser implantado: (1) Estabelecer Por que, Onde e Quando amostrar: embasado no objetivo da empresa, o no tempo e local apropriados para a coleta de amostras. (2) Estabelecer Como fazer estas amostragens seguindo um planejamento específico para colher uma amostra representativa, já que a distribuição das micotoxinas na massa de grãos é heterogênea. O LAMIC recomenda que a cada 100T de ração produzida por dia a fábrica deve coletar 45kg de material moído. Deste material deve-se retirar uma amostra de no mínimo 1kg, que será enviada ao laboratório. É muito importante treinar o amostrador e conscientizá-lo de forma muito clara desta responsabilidade. O tempo entre a coleta da amostra e a chegada ao laboratório não deve exceder 48h. 4. TRATAMENTO Quando a ração já está sendo consumida pelos animais e os sinais clínicos já são visíveis, está diagnosticado o prejuízo. Isto significa que houve falha em algum dos pontos de controle no gerenciamento de micotoxinas e o corpo técnico passa a tomar decisões relativas ao tratamento. Nestes casos já há um produto no mercado com comprovação científica (LAMIC) de seus benefícios, cujo uso é na água de beber durante 4 a 5 dias, reduzindo significativamente os sinais clínicos de aflatoxicose. No entanto o uso de um adsorvente de micotoxinas nas rações, para algumas empresas cujos resultados zootécnicos se destacam no mercado brasileiro, funciona como um seguro. Este uso preventivo se tem tornado cada vez mais freqüente. A aplicação desta prática se deve à experiência adquirida ao longo dos anos de que não vale a pena economizar 10 para perder 100. a. A ESCOLHA DO PRODUTO A escolha de um adsorvente de micotoxinas deve levar em conta a espécie de micotoxina a ser adsorvida, pois as toxinas são moléculas que diferem quimicamente entre si e estas diferenças químicas afetam sua polaridade. Por exemplo, as aflatoxinas são moléculas muito pequenas, capazes de contaminar até através da pele, e são altamente polares. Sendo polares, são atraídas fortemente pelos alumino silicatos. Entre as toxinas polares há ainda a ocratoxina e também a fumonisina. Nem todos os aluminosilicatos são hábeis em adsorver micotoxinas, como são argilas de origem vulcânica, sua efetividade vai depender da mina em que o material foi extraído, do tipo de argila, disposição de suas lâminas e cargas. A expansão ou craquelamento da argila é um método que consiste em submeter o material a altíssimas temperaturas e pressão para que suas pequenas partículas funcionem como verdadeiras esponjas em capacidade de adsorção. Com este processo obtém-se a formação de gels mais estáveis no trato digestório do animal, reduzindo a capacidade de troca catiônica e permite uma inclusão muito menor de aluminosilicato na ração com um efeito protetor superior. Porém, moléculas como Zearalenona, DON, T2, DAS, não são atraídas pelos aluminosilicatos, pois são pouco polares ou apolares. Para tornar estas estruturas químicas mais hidrofílicas o conceito da bio-transformação é bem aceito pela comunidade científica. Consiste em submeter as moléculas a mudanças por reações enzimáticas ou processos microbiológicos em que ocorrem reações de hidroxilação, de-epoxilação ou deacetilação. Para isto é necessário que haja na formulação do produto glicomananos esterificados que compõem a parede interna das leveduras ou ainda que seja incluído um organismo vivo (p.ex. bactéria). Sendo a peroxidação de membranas um dos efeitos de várias espécies de micotoxinas, principalmente ocratoxina, aflatoxina e alguns tricotecenos (Hoehler et al., 1997; Karppanen et al., 1989; Omar et al., 1990) houve interesse de Garalaviciene (2003) em pesquisar se a presença de um complexo antioxidante em dietas contaminadas por micotoxinas tem algum efeito protetor. O autor trabalhou com poedeiras consumindo dietas contaminadas com fusariotoxinas e ocratoxina A e seus achados indicaram que a mistura sinérgica de antioxidantes sintéticos incluída nas dietas contaminadas resultou em melhora do consumo de ração, produção de ovos, e aumentou significativamente o nível de carotenóides nas gemas dos ovos. Estes resultados deram suporte para a criação de novas preparações de adsorventes de micotoxinas contendo complexos antioxidantes específicos em sua formulação, cujos resultados em campo confirmam seu efeito em pesquisa. Pesquisa recente realizada por Guaiume (2005) mostrou claramente que quando frangos de corte ou perus são submetidos a contaminações bacterianas, a presença de aflatoxina B1 ou da toxina T2 na dieta é potenciada. A causa deste efeito sinérgico negativo é a interação entre os lipopolissacarídeos de bactérias e a toxina presente na dieta, mesmo que a toxina esteja presente em níveis muito baixos. Esta é, possivelmente, a causa da observação de sinais clínicos de micotoxicose em campo, quando o nível da toxina analisada nos grãos está abaixo dos níveis críticos. Na formulação do adsorvente de micotoxinas, a inclusão de uma mistura específica de extratos botânicos e óleos essenciais cujo efeito antioxidante e, portanto, protetor hepático, e também antibacteriano tenha sido bem embasado por trabalhos científicos, traz uma proteção extra e a certeza de estar cercando por todos os lados um problema multifatorial como a micotoxicose. Este tipo de produto já se encontra no mercado, tendo sido submetido a testes in vivo tanto em laboratório quanto em grandes integrações com resultados que confirmam a alta tecnologia envolvida em sua fabricação e um custo benefício absolutamente praticável por qualquer indústria de rações. A micotoxicose é um problema multifatorial, então é muito importante para a tomada de decisão em relação a um adsorvente específico, observar se sua formulação traz componentes que contra-ataquem os vários fatores de risco. Além do custo benefício e da tecnologia empregada na fabricação de um produto, é indispensável a observação dos métodos diagnósticos aos quais este produto foi submetido para ser aprovado para uso, que laboratório gerou esta certificação e qual o nível de precisão do método utilizado. Todos estes aspectos trazem segurança ao técnico na sua tomada de decisão. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA Diaz, G. J. Limitaciones de la tecnica de ELISA para analisis de micotoxinas. Universidad Ncional de Colombia. Facultad de Medicina Veterinária y de Zootecnia. Grupo Colciencias COL0010403, 2005. Bogotá, Colombia. Garaleviciene, D. Effect of antioxidant preparation “Oxy nil” on health status and productivity of laying hens fed naturally moulded feed. Veterinaria y Zootechnika. T. 24 (46), 2003. 22-29. Guaiume, E. A. Effects of continuous administration of Low-dose of Escherichia Coli Lipopolysaccharide in chicks and poults fed non toxic doses of Aflatoxin B1 and T2 toxin. Ph D Thesis. University of Missouri, Columbia, USA. July, 2005. Hoehler, D.; Marquardt, R. R.; Frohlich, A. A. Lipid peroxidation as one mode of action in ocratoxin A toxicity in rats and chicks. Canadian Journal of Animal Science. 1997. 287-292. Hoffman. C.; Dalby, G. and Schweitzer, T. R. Process for inhibition of mold. New York, USA. Ward Backing Company, 1938 US Patent , 2, 154, 449. Karppanen, E.; Rizzo, A.; Saari, L.; Berg, S.; Bostrom, H. Investigation on trichothecene-stimulated lipid peroxidation and toxic effects of trichothecenes in animals. Acta Veterinaria Sacandinavica. 1989. T. 30. 391-399. Mallmann, C. A.; Dilkin, P.; Giacomini, L. Z.; Rauber, R. H. Micotoxicoses em Suinos e Aves. I Encontro Técnológico INVE, 13 a15 de outubro, 2005. Florianópolis, SC, Brasil. Miraglia, M; De Santis, B.; Minardi, V.; Debegnach, F.; Brera, C.The role of sampling in mycotoxin contamination: An holistic view. Food Additives and Contaminants, Volume 22, Supplement 1, Supplement 1/2005, pp. 31-36(6). Omar, R. F.; Hasinoff, B. B.; Mejilla, F.; Rahimtula, A. D. Mechanism of ocratoxin A stimulated lipid peroxidation. Biochemistry and Pharmacology. 1990. T. 40 (6). 1183-1191. Samapundo, S., Devlieghere, F., De Meulenaer, B. & Debevere, J. The effect of water activity and temperature on growth and the relationship between fumonisin production and the radial growth of Fusarium moniliforme and F. proliferatum in corn. Journal of Food Protection (accepted) 2005. Waltkins, E. J. Ropiness in flour and bread and its detection and prevention. J. Soc. Chem. Ind. London, 1906, 25, 350-357.


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