Implementação dos Conceitos do HACCP na Fábrica de Rações

Elizabeth Santin, PhD Professora do Departamento de Medicina Veterinária Universidade Federal do Paraná Curitiba – PR

Introdução O HACCP é um programa sistemático de identificação, habilitação e controle da qualidade alimento, regido por sete princípios. A aplicação original do programa foi realizada pela NASA, para o controle dos alimentos destinados aos astronautas, com o objetivo de reduzir os riscos de infecção por toxinas. A partir de então, até hoje, esses conceitos são utilizados para o controle da qualidade dos alimentos no que diz respeito aos riscos para a saúde humana, como é o caso da Salmonela. Uma vez que os produtos de origem animal fazem parte da cadeia alimentar humana, o controle da qualidade da ração para os animais também é importante. A presença de micotoxinas (toxinas produzidas por fungos) nas rações oferece risco para saúde humana, uma vez que seus metabólitos podem permanecer no leite, nos ovos e na carne, além de reduzir o desempenho e a saúde dos animais. Aplicação dos conceitos de HACCP no controle de fungos e micotoxinas na ração animal Princípio 1: Realizar a análise de risco Na análise de risco, é importante conceituar os fungos e as micotoxinas e estabelecer a sensibilidade das diversas espécies animais as micotoxinas além dos prejuízos que decorrem do seu desenvolvimento nos cereais ou na ração animal. Princípio 2 – Determinar os pontos críticos de controle Após a determinação dos pontos críticos, procura-se estabelecer maneiras de avaliar o controle desses pontos que foram estabelecidos no fluxo da fábrica de rações. É comum que sejam utilizadas na abordagem dos cereais e no momento do recebimento pela fábrica, avaliação visual, dissimétrica e bromatológica. Outros pontos que precisam ser controlados são as condições de armazenamento, a limpeza dos equipamentos da fábrica, o acúmulo de crostas e a temperatura dos pontos críticos, especialmente na saída do resfriador. Princípio 3 – Estabelecer os limites críticos É necessário ter cuidado para que os limites não fiquem muito além do que é possível alcançar em cada empresa. Os limites devem ser estabelecidos “passo a passo”, respeitando limitações operacionais e estruturais de cada fábrica de rações. Princípio 4 – Estabelecer procedimentos de monitoramento dos CCP Monitorar é planejar uma seqüência de observações e medidas que garantam que o CCP está controlado, e também para a geração de dados que possibilitem uma verificação futura. Os procedimentos de monitoramento devem ser ágeis e claros porque têm relação com o tempo real de produção da ração, sendo preferenciais as analises físicas e químicas. Alterações visuais, de odor e do aspecto são os meios mais fáceis de efetuar os monitoramentos. Eventualmente, podem ser utilizados monitoramentos com o uso de imagens, análises microbiológicas e micotoxicológicas. Princípio 5: Estabelecer ações corretivas Apesar do plano de HACCP ser desenvolvido para estabelecer estratégias que previnam, eliminem ou reduzam a ocorrência de problemas de toxinfecção alimentar, em determinados momentos algumas falhas no programa podem resultar em riscos evidentes. Desse modo, as medidas de monitoramento supracitadas são fundamentais para a aplicação de ações corretivas o mais rapidamente possível. No caso das micotoxicoses, é muito importante considerar que alguns pontos são de difícil controle, como no caso da qualidade dos cereais utilizados nas rações para animais. Princípio 6: Estabelecer medidas de verificação do programa Para garantir a efetividade do programa, estabelece-se a verificação permanente do plano de HACCP, com realização de revisões constantes dos limites e das técnicas de monitoramento para verificar se estão dentro do esperado. Em caso negativo é necessário procurar, nos fundamentos científicos ou com o auxílio de especialistas, a realização de alterações no plano e mudanças nos limites críticos, nas formas de controle dos pontos críticos, nas ações de monitoramento e corretivas, tudo isso a fim de que seja alcançado o objetivo esperado. Princípio 7: Estabelecer procedimentos de documentação das informações Os documentos de um sistema de HACCP devem conter um resumo das análises de risco, incluindo as medidas aplicadas para o controle dos pontos críticos. Dentro do plano de HACCP, é muito importante que, nos relatórios, figurem relatos das pessoas envolvidas no plano e a determinação das responsabilidades individuais. Para cada ração terminada é importante a documentação de controle da matéria-prima, incluindo o momento de utilização, o tipo de ração e o local para onde foi enviada. Conclusões Estabelecer o programa de controle de pontos críticos utilizando os conceitos do HACCP é muito simples, porém alguns erros são muito comuns no percurso e não devem ser motivo para desânimo. A implantação do HACCP deve ser avaliada e melhorada durante toda a existência, o intuito é reduzir os prejuízos decorrentes do crescimento fúngico e da produção de micotoxinas em um período de tempo que varia de acordo com a necessidade e o desejo de cada empresa. O HACCP é um programa para empresas com profissionalismo na atividade que realizam, que buscam o desempenho máximo dos animais e não abrem mão de oferecer ao consumidor final um produto de qualidade e sem riscos para a saúde pública.

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A Ferraz é uma empresa familiar 100% nacional e que iniciou suas atividades no ano de 1970. Em seguida, começaram a fabricar pequenas fábricas de rações farelada para granjas de aves de postura e também suínos. Atualmente, fornecem plantas completas tanto para produção de rações fareladas, extrusadas de 400 Kg a 16 toneladas por hora, peletizadas de 400 Kg a 30 toneladas por hora.

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Ricardo Santin, afirma: “Produção nacional de carne de frango pode alcançar entre 14,100 e 14,300 milhões de toneladas neste ano, elevação de 3,5% em relação a 2020. No recorte das exportações, a ampliação do volume embarcado é ainda mais evidente: até 10%. Consumo per capita será de 46 quilos de carne de frango”.

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QIMA/WQS foi fundada em 1993, oferecendo soluções para a indústria de alimentos do campo à mesa por meio de certificações reconhecidas pela GFSI (BRCGS, GLOBALG.AP, SQF, IFS), segurança de alimentos, auditorias éticas, selos de qualidade, inspeções, treinamento e gestão da cadeia de fornecimento. Atualmente com sede em Charlotte, Carolina do Norte, com filiais no Brasil e México, fornecem serviços em todo o mundo.

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A Pluma Agroavícola sempre se destacou no mercado pela evolução e crescimento acima da média. Hoje, com 22 anos de fundação, a empresa atua em oito estados do Brasil, sendo Paraná (com sua sede em Cascavel), Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Pernambuco e Distrito Federal. Em 1999, quando a empresa foi fundada, eram apenas cinco funcionários; hoje, são mais de 2.300 colaboradores.

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Duas datas muito importantes foram comemoradas nos meses de setembro e outubro ambas com forte relação com os segmentos de avicultura e suinocultura: O Dia Internacional da Conscientização sobre a Perda e o Desperdício de Alimentos (29/09) e o Dia Mundial da Alimentação (16/10) o qual faz alusão também a data de criação da Organização da Nações Unidas para alimentação e agricultura (FAO). Os setores avícola e suinícola conferem grande contribuição aos temas e trazem grandes benefícios a bem-estar população global e do planeta.

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Sob a liderança da Ministra Tereza Cristina, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento tem trabalhado comprometido com a agenda de abertura, manutenção e ampliação de mercados para os produtos do agronegócio brasileiro. Como resultado abrimos desde janeiro de 2019 até o presente momento, 178 mercados para diferentes tipos de produtos.

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Alberto Back e Vânia Bernardes, do MercoLab Laboratórios LTDA, Cascavel PR publicam artigo na edição de dezembro da Revista do AviSite, em que afirmam que grande desafio atual é o controle das salmonelas paratíficas, que representam os outros quase 300 sorotipos que podem infectar as aves, além da Gallinarum e Pullorum. “
“Controle das salmonelas paratíficas exige conhecimento, ação integrada na cadeia, monitoramento, uso de produtos anti-salmonela (ácidos, probióticos, prebióticos, extratos vegetais…), uso de vacinas, cuidados de ambiência, manejo e biosseguridade”, afirmam.

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Quem se dedicou à tarefa de analisar os balanços das duas principais empresas do setor no segundo trimestre de 2021 deve ter notado que, embora fortes concorrentes entre si, ambas apresentaram pelo menos um argumento em comum para justificar os fracos resultados do período: o encarecimento do custo de produção naquele que, provavelmente, é o momento mais difícil e desafiante da economia e do consumidor brasileiro. Página 62.

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