quinta-feira, 7 de julho de 2022

Guerra na Ucrânia: Como conflito afeta exportações do Brasil para a Rússia

A venda de produtos brasileiros para a Rússia ainda não foi afetada pelas consequências da invasão da Ucrânia pelas forças armadas russas, dizem exportadores. Mas empresários do agronegócio, setor que se destaca na pauta de exportações para o mercado russo, temem que problemas na logística e nos pagamentos atrapalhem os negócios.

A participação das compras russas no total exportado pelo Brasil vem caindo desde 2008, e fechou 2021 com uma fatia inferior a 1%. Apesar dessa participação pequena, uma menor importação da Rússia afetaria os negócios de exportadores de carnes, soja, amendoim, café e açúcar.

Os executivos dizem que ainda aguardam orientações do governo brasileiro sobre adesão ou não do Brasil ao bloco dos países que lançaram sanções contra o governo de Vladimir Putin.

O conflito entre Rússia e Ucrânia está acontecendo apenas no território ucraniano, que foi invadido, sem afetar portanto a infraestrutura ou logística dos mercados russos.

Mas as exportações brasileiras para a Rússia podem ser afetadas por causa das sanções econômicas anunciadas por diversos países do Ocidente, em movimento liderado pelos Estados Unidos.

Entre as sanções adotadas está a suspensão de vendas e compras de produtos para e do mercado russo e o bloqueio de contas e financiamentos bancários para empresas russas.

Governo brasileiro monitora situação

Por enquanto, dizem empresários, nenhuma orientação foi dada pelo governo brasileiro aos exportadores que vendem para a Rússia.

Questionado se o Brasil vai continuar ou não exportando para a Rússia, ou se há alguma orientação aos exportadores que vendem para a Rússia, o Ministério da Economia não tomou uma posição oficial.

“O Ministério da Economia, pasta à qual está vinculada a Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais (Secint), acompanha atentamente os desdobramentos da crise na Ucrânia e, neste momento, não irá se pronunciar sobre o assunto”, diz nota encaminhada ao UOL.

Segundo o ministério da Economia, exportadores brasileiros não contataram a Secint relatando dificuldades de exportação ao mercado russo. Além disso, diz a pasta do governo, ainda não foram observados movimentos atípicos nos dados de exportação para a região.

Importância da Rússia nas exportações brasileiras

A participação da Rússia nas exportações brasileiras está caindo ao longo dos últimos anos. Após bater um pico de US$ 4,6 bilhões, em 2008, as vendas de produtos brasileiros para o mercado russo oscilaram nos anos seguintes, mas com tendência predominante de retração, até chegar a 2021 somando US$ 1,6 bilhão, segundo dados da Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais (Secex).

Ao longo de todo o ano passado, o mercado russo comprou US$ 1,7 bilhão do Brasil. A Rússia foi apenas o 36º país na lista de mercados consumidores do Brasil, respondendo por 0,6% das exportações brasileiras.

Para comparar, em 2008 a Rússia comprou 2,4% das nossas vendas externas.

Produtos mais vendidos pelo Brasil para a Rússia em 2021 (Fonte: Secex)

  • Soja: US$ 343 milhões
  • Carnes de aves: US$ 167 milhões
  • Carne bovina: US$ 137,6 milhões
  • Amendoins: US$ 130 milhões
  • Café não torrado: US$ 133 milhões
  • Açúcares e melaço: US$ 127 milhões

Soja e carnes são vendas mais afetadas

Apesar dessa participação marginal nas exportações brasileiras, uma redução da demanda russa afetaria alguns negócios, em especial dos segmentos de carnes e grãos.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, o mercado russo aparece entre os dez maiores compradores de carnes do Brasil e vem ganhando relevância na pauta de exportação, na medida em que algumas barreiras comerciais e sanitárias estão sendo retiradas.

O diretor e conselheiro da Sociedade Nacional da Agricultura (SNA), Marcio Sette Fortes, também conselheiro da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e professor do Ibmec-RJ, diz que tanto empresários como o governo do Brasil vêm fazendo um esforço nos últimos anos para abrir o mercado russo aos produtos brasileiros. E, por isso, não faria sentido um alinhamento precipitado às sanções contra os russos.

Sem histórico de impor sanções

Empresários e especialistas em comércio exterior e relações internacionais dizem que não enxergam no radar a possibilidade de uma adesão do Brasil aos países que vão impor sanções comerciais contra a Rússia.

Risco de gargalos nos pagamentos e transportes

Mas o Brasil ainda deve enfrentar problemas para manter as exportações para a Rússia, afirmam empresários do setor, apontando duas fontes de risco: transportes e pagamentos.

As sanções impostas pelos Estados Unidos e outros países incluem medidas que suspendem a atuação de bancos russos e de companhias internacionais de transportes internacionais que fazem todas as etapas da logística entre Brasil e Rússia.

Os exportadores brasileiros poderão, então, enfrentar problemas para receber pagamentos relacionados às vendas feitas aos russos.

Impacto de custos maiores

Exportadores brasileiros dizem que a cadeia de produção também deve ser afetada pelo encarecimento de insumos por causa do conflito na Ucrânia -algo que já está ocorrendo.

O aumento dos preços do trigo e do milho, por exemplo, eleva os custos dos produtores de aves e suínos, afirma o presidente da ABPA. Segundo ele, esse impacto terá que ser repassado aos consumidores, no exterior e aqui.

Mas a maior preocupação do setor neste momento é com fertilizantes, já que o Brasil importa da Rússia, por exemplo, 27% dos fertilizantes de potássio e 21% dos fertilizantes de nitrogênio que país utiliza na agricultura.

Segundo o diretor-executivo da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda), Ricardo Tortorella, ainda é cedo para analisar os impactos para o setor e para toda a cadeia alimentar diante das sanções internacionais. Mas ele diz já ver o risco de desabastecimento desses insumos.

Oportunidades criadas pelo conflito

Mas o conflito entre Ucrânia e Rússia também deve abrir oportunidades para os exportadores brasileiros, dizem empresários. Eles apontam que Rússia e Ucrânia também exportam carnes e grãos para outros países – e que uma redução da oferta desses itens por parte de russos e ucranianos vai abrir espaço para o Brasil atender a demanda.

“Rússia e Ucrânia também são exportadores de carnes. Não tão grandes como o Brasil, mas têm seus mercados específicos. A Ucrânia, por exemplo, exporta para Europa e Arábia Saudita, dois mercados em que o Brasil é ativo e, portanto, pode ser chamado a suprir uma menor oferta. A gente já notou aumentos de preço e de procura” comenta Ricardo Santin, presidente da ABPA.

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

Notícias Relacionadas

Revista AviSite

NOSSOS PARCEIROS

Notícias Relacionadas

Últimas Notícias

Últimas Notícias



Busca por palavra chave ou data

Selecione a Data

Busca por palavra chave ou data

POR DATA:
OvoSite
PecSite
SuiSite

Revista AviSite

CONFIRA OS DESTAQUES DA NOSSA ULTIMA EDIÇÃO

destaque-06

FACTA WPSA-Brasil 2022

Temas como sustentabilidade, gestão de pessoas para melhorar o desempenho das aves, otimização de custo e seu impacto fizeram parte da agenda do evento. Página 84.

destaque-02

A evolução da seleção genética de frangos de corte

O melhoramento genético de frangos de corte teve início no fim da primeira metade do século passado, por meio de um processo de seleção simples, sem muita tecnologia. Página 44.

destaque-04

Sistema de Gestão e Mobilidade à frente da Agroindústria 4.0

Com a evolução e mobilidade dos dados, o cliente hoje pode estar em qualquer lugar e ter acesso às informações que estão sendo geradas para ele, uma vez que todas as pontas do processo possuem tecnologia em dispositivos móveis. Página 26.

destaque-05

Ferraz Parts: surge uma nova forma de produção de matrizes e capas de rolos para peletizadoras

Um novo setor, a mesma filosofia que consagrou a Ferraz Máquinas como a maior fabricante de equipamentos para rações animais do Brasil. Página 24.

destaque-07

Simpósio OvoSite aborda inovações na produção de ovos

O Simpósio OvoSite irá levantar as tendências para a comercialização no mercado interno e nas exportações para o setor. Página 88.

frango (93)

Com crescimento nas exportações de carne de frango, Brasil se mantém como maior exportador da proteína

Apenas em 2021 foram embarcadas 4,610 milhões de toneladas representando um montante de US$ 7,6 bilhões (FOB).  Página 30.

destaque-03

Melhoramento Genético Holístico

A produção de carne deve aumentar em 44 milhões de toneladas métricas até 2030, com 52% desse aumento representado pela avicultura. Página 50.

destaque-01

Entrevista: Ariel Mendes

Se falarmos em avicultura o nome de Ariel Mendes sempre estará em pauta, afinal, são mais de 40 anos dedicados ao setor, seja transmitindo conhecimento por meio de aulas ou à frente das principais entidades avícolas do país. Página 38.