sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Frango vivo: margem entre custo e preço fica negativa em 2022

Os parâmetros adotados podem não ser os mais adequados, porém servem perfeitamente para demonstrar o quanto se estreitaram, no decorrer do tempo, as margens de preço do frango vivo em relação ao custo de produção.

Na presente demonstração adotaram-se como parâmetros:

1º) o custo de produção do frango levantado mensalmente pela Embrapa Suínos e Aves desde janeiro de 2010, envolvendo criações em aviários com climatização positiva do estado do Paraná;

2º) o preço pago ao produtor pela ave viva nas granjas do Interior de São Paulo, conforme levantamento diário efetuado pela Jox Assessoria Agropecuária.

Como foi dito, os parâmetros não são mais adequados. Mas em 2010, frente a um custo médio de R$1,41/kg no Paraná (onde o milho ainda não havia sido dolarizado), o preço recebido pelo produtor paulista girou em torno de R$1,65/kg. Margem, portanto, de 17% para o produtor.

Melhor que essa, só a margem obtida em 2013. Pois então, frente a um custo de R$2,00/kg, o frango vivo foi comercializado por cerca de R$2,47/kg. Ou seja: 23,5% de margem.

Em 2018, em decorrência, principalmente, da quebra de safra do milho, a margem entre custo e preço ficou negativa em mais de meio por cento. As perdas, porém, concentraram-se no primeiro semestre (margem negativa superior a 8%) porque, sem condições de manter o ritmo anterior, o setor viu-se forçado a reduzir a produção. Isso fez tornar novamente positiva a margem do segundo semestre (6,6%).

A redução daquele exercício se estendeu pelo ano seguinte, pois o setor ficou com menor capacidade de produção,. Daí a margem de 2019 ter superado ligeiramente os 15%.

Mas na sequência, ainda que a safra de milho de 2019/2020 tivesse atingido novo recorde, ultrapassando pela primeira vez os 100 milhões de toneladas, o milho – largamente exportado – passou a operar com preços internacionais. Para amargar ainda mais a situação veio a pandemia e os preços do frango despencaram. Resultado: margem de apenas 1,4% em 2020.

No ano passado, a recuperação de preços obtida pelo frango no segundo semestre possibilitou ligeiro aumento dessa margem, que subiu para 3,7%. Porém, também esse pequeno ganho teve pouca duração. Pois, considerados os quatro primeiros meses de 2022, o custo médio de produção do frango atingiu, pelo levantamento da Embrapa Suínos e Aves, cerca de R$5,64/kg. Já a remuneração obtida pelo produtor não chegou a R$5,58/kg. Margem negativa, portanto, de 1,1%.

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