domingo, 29 de maio de 2022

FACTA WPSA-Brasil 2022 conecta a avicultura a um futuro mais sustentável

Evento chegou ao fim nesta quinta-feira e trouxe debates que uniram mercado internacional, sanidade e sustentabilidade na avicultura

Nesta quinta foi realizado o segundo e último dia da 39ª edição da Conferência FACTA WPSA-Brasil 2022 no Expo D. Pedro, em Campinas (SP). O evento trouxe como tema “Avicultura, o futuro é agora!” e abordou os principais temas técnicos voltados à avicultura de corte e postura e a governança ambiental, social e corporativa que estão fazendo a realidade do segmento avícola. Temas como sustentabilidade, gestão de pessoas para melhorar o desempenho das aves, otimização de custo e seu impacto fizeram parte da agenda do evento.

Os participantes debateram ao longo dos dois dias  o conceito Environmental, Social and Governance (ESG),  a atual situação e projeções para o mercado de grãos; disponibilidade de energia elétrica; apresentação de um modelo de contenção para surto de doenças exóticas tipo Anemia Aviária, Newcastle e Gumboro; tendências e mudanças de tipo de produtos avícolas oferecidos ao mercado pós-pandemia; qualificação da mão de obra no uso de sistemas informatizados de coleta de dados e automação dos galpões, entre outros.

O Diretor-Presidente da FACTA Ariel Mendes destacou que a entidade conseguiu atingir o seu objetivo com a realização do evento, que é o de levar conhecimento técnico e científico ao setor avícola. “A agenda da Conferência FACTA WPSA-Brasil neste ano trouxe temas com grande conexão com a avicultura, como sustentabilidade e tudo o que de mais importante precisa ser avaliado para a garantia da sanidade do setor”, destacou Mendes. “Assim, já identificamos uma quebra de paradigma pois o segmento já está muito aberto às tendências e demandas que envolvem o seu desenvolvimento”, apontou.

Ariel Mendes também detalhou os assuntos envolvendo as questões sanitárias da agenda da Conferência FACTA WPSA-Brasil. “O uso de vacinas autógenas (vivas) no Brasil, os desafios ainda propostos pela Salmonella, a internalização das normas da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), a proteção contra as doenças emergentes e reemergentes e também o plano de vigilância do Ministério da Agricultura contra a Influenza Aviária e Doença de Newcastle dão a dimensão da preocupação da FACTA em garantir o status sanitário da avicultura”, disse Ariel Mendes.

A professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo Terezinha Knöbl apresentou uma revisão da situação atual da Escherichia coli patogênica aviária. “Devido à grande variabilidade desta bactéria, este sempre foi um problema crônico na avicultura e por isso é muito importante determinar suas linhagens, monitorar as de maior risco e adotar medidas de controle mais específicas”, afirmou.

Já a coordenadora técnico-comercial da Cinergis Camila de Souza Oro apresentou as diversas maneiras para o controle biológico de helmintos em poedeiras e matrizes. Segundo ela, os prejuízos ainda são enormes devido a ocorrência destes vermes na avicultura. “Podemos citar desder a redução der ganho de peso das aves, redução do peso do ovo, atraso ou diminuição na produção de ovos, queda na eficiência alimentar e consumo e também o aumento de ovos sujos”, listou.

A verminose é uma doença prevalente em aves de produção e a ocorrência de helmintos se deve em grande parte às condições das instalações e condições climáticas regionais que influenciam no ciclo biológico destes vermes. “Para um eficiente diagnóstico é preciso avaliar a presença de parasitas nas fezes e na cama onde as aves se encontram, através de necropsia e raspagem da mucosa”, afirmou. “Os anti-helmínticos são uma excelente opção para o tratamento em casos de infecção já estabelecida, quando utilizados de forma sinérgica com outras ferramentas e medidas de controle e prevenção da reinfecção”, disse.

De acordo com Camila Oro, o controle ambiental com fungos helmintófagos é uma ferramenta fundamental para garantir o bom desempenho, principalmente quando utilizados entre as diversas soluções integradas.

A internalização das normas da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) foi o destaque trazido por Anderlise Borsoi, coordenadora geral substituta da Coordenação Geral de Saúde Animal do Ministério da Agricultura. Ela explicou que 182 países seguem as orientações da OIE. “São feitas regras, normas e orientações que indicam um melhor caminho e têm uma conexão também com a Organização Mundial do Comércio”, explicou. “Elas têm o foco no conceito de ‘saúde única’ e geram um reflexo no dia a dia da granja que une comércio, mercado internacional e saúde pública, bem-estar animal e produção”, destacou.

Dando sequência, a professora da Universidade Federal de Uberlândia, Bia Fonseca trouxe um panorama sobre as incidências de Campylobacter na avicultura e as medidas de controle e, fechando o dia, a FACTA trouxe de volta o tema de grande importância em sua Conferência neste ano, a sustentabilidade.

A produtora rural Luciana Dalmagro abordou o tema dentro de conceitos técnicos, práticos e objetivos, mostrando os impactos ambientais da atividade, a importância da qualidade do ambiente para aves e para os trabalhadores e como a máxima atenção à segurança alimentar também está inserida neste conceito. “Este é um compromisso de países e de corporações. O caminho mais necessário é o da redução das emissões de carbono ou sua compensação”, afirmou.

De acordo com ela, uma economia circular, na qual aves, adubos, uso do milho, silagem e fechando na produção bovina é benéfica à avicultura. “A inovação aliada à tecnologia gera sustentabilidade. A palavra-chave no campo é ‘gestão’, seja de processos, financeira e de pessoas. O produtor hoje sabe muito bem coletar dados, porém ainda tem dificuldade em transformá-los em ações práticas para o desenvolvimento de seu negócio”, destacou. “É preciso unir indústrias, governo, produtores e todos que atuam na cadeia produtiva para entender melhor em qual estágio se encontra a avicultura quando falamos em sustentabilidade e qual o caminho vamos trilhar daqui para frente. Nosso futuro depende desse entendimento”, disse.

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