Estresse Térmico no Nascedouro sobre Função Imune de Frangos

INTRODUÇÃO O estresse térmico pós-eclosão influencia a função do sistema imune, pelo aumento da corticosterona circulante que causa involução do timo, bursa e baço e redistribuição das subpopulações de linfócitos T (4). A bursa é necessária para a diferenciação de linfócitos B e a produção de anticorpos específicos que começa na vida pré-natal (3), período no qual ocorre a maior taxa de transferência de IgG materna (1). No entanto, a transferência depende da velocidade de absorção do saco vitelino que é alterada pelas variações de T3 e T4, induzidas por mudanças na temperatura da incubação (2). O objetivo desse trabalho foi verificar o efeito do estresse térmico no nascedouro sobre a morfologia da bursa de Fabrícius, a transferência de anticorpos maternos e a resposta imune humoral dos frangos. MATERIAL E MÉTODOS Ovos férteis (68,8 ± 3,6 g), de matrizes Cobb-500® de 45 semanas foram incubados até 438 h sob termoneutralidade. Posteriormente, três grupos foram submetidos às temperaturas do nascedouro (Tn) de 34, 37 ou 39ºC, das 438 às 508 h. No nascimento, 15 aves por tratamento foram sacrificadas e as bursas dessecadas, pesadas, processadas para microscopia e cortes de 6 μm foram corados com hematoxilina e eosina. Imagens dos cortes foram analisadas no programa ImageJ®, sendo mensuradas a área total do corte, folicular, cortical e medular e a espessura do epitélio. Dos pintainhos restantes, 150 por tratamento, não sexados, foram criados em condições de termoneutralidade, com água e ração ad libitum de 1-42 dias. Todas as aves criadas foram vacinadas contra Doença de Newcastle VDN (4º e 16º dia) e Doença Infecciosa da Bursa VDIB (9º e 21º dia). Os títulos de anticorpos foram determinados semanalmente pelo ELISA (kit IDEXX®). O delineamento experimental foi inteiramente casualizado. Os dados relativos à bursa foram analisados considerando o efeito de Tn (34, 37 e 39ºC) e os títulos em esquema fatorial 3X7 (Tn e idade dos frangos; ID). As diferenças (p<0,05) foram comparadas pelo teste de Tukey (5%). Transformaram-se os títulos para a análise (título anti-VDIB: y0,29; anti-VDN: y0,16), porém, apresentam-se os valores originais. RESULTADOS E DISCUSSÃO O peso e a área da bursa não foram afetados pela Tn (Tabela 1). A área folicular diminuiu para os embriões expostos a 34 ou 39ºC. A área cortical aumentou e a medular diminuiu para os embriões em Tn de 34ºC em relação às outras Tn. A espessura do epitélio diminuiu em expostos à 34°C em relação à 37°C. Dessa forma, o estresse térmico (34 ou 39ºC) proporcionou retardo no desenvolvimento do parênquima da bursa. O córtex é caracterizado pela maior taxa de divisão celular (3) e os resultados indicaram que essa divisão pode estimular-se pelo estresse por frio, aumentando assim a área cortical. O efeito da interação entre a Tn e a ID e o efeito principal da Tn sobre os títulos de anticorpos, não foram significativos, no entanto, houve efeito da ID (Figura 1). Os anticorpos contra VDIB e VDN medidos no 1, 7 e 14 dias e 1 e 7 dias, respectivamente, corresponderam à imunidade materna. Em ID posteriores, corresponderam à resposta imune humoral pós-vacinal. A tranferência de anticorpos maternos não foi afetada pela Tn, no entanto, estresse em idades mais precoces altera a absorção do saco vitelino (2) e em conseqüência pode afetar a transferência de IgG materna. Finalmente, o efeito da Tn sobre a bursa não afetou a resposta imune humoral à vacinação contra VDIB e VDN o que sugeriu que a Tn não tem inferferência no processo de diversificação de anticorpos que inicia na bursa no período pré-natal (3). Tabela 1 – Estresse térmico no nascedouro sobre a morfometria da bursa em pintainhos recém eclodidos.  Letras iguais, na linha, não diferem entre si (Tukey 5%).  Figura 1 – Títulos de anticorpos contra VDIB e VDN. a,b,c,d: idades (dias) com letras iguais, não diferem entre si (Tukey 5%). CONCLUSÕES O estresse térmico no nascedouro retarda o desenvolvimento da bursa, porém, não interfere na resposta imune humoral das aves na vida pós-natal nem na transmissão passiva de anticorpos maternos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Boa-amponsem K, Price SE, Geraert PA, Picard M, Siegel PB. Avian Diseases 2001; 45:122-27. 2. Decuypere E, Dewil E, Kühn ER. Avian Incubation. Poultry Science Series 1991, 239-56 3. Paramithiotis E, Ratcliffe MJH. Poultry science 1994; 73(7):991-97 4. Trout JM, Mashaly MM Poultry Science 1994; 73:1694-98

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

Nunca perca nenhuma notícia importante. Assine a nossa newsletter.

NOSSOS PARCEIROS

Notícias Relacionadas

Notícias Relacionadas

Últimas Notícias

Revista AviSite

Últimas Notícias

Busca por palavra chave ou data

Selecione a Data

Busca por palavra chave ou data

POR DATA:
OvoSite
PecSite
SuiSite

Revista AviSite

CONFIRA OS DESTAQUES DA NOSSA ULTIMA EDIÇÃO

revista-ferraz

A Ferraz é uma empresa familiar 100% nacional e que iniciou suas atividades no ano de 1970. Em seguida, começaram a fabricar pequenas fábricas de rações farelada para granjas de aves de postura e também suínos. Atualmente, fornecem plantas completas tanto para produção de rações fareladas, extrusadas de 400 Kg a 16 toneladas por hora, peletizadas de 400 Kg a 30 toneladas por hora.

Revista-ricardo

Ricardo Santin, afirma: “Produção nacional de carne de frango pode alcançar entre 14,100 e 14,300 milhões de toneladas neste ano, elevação de 3,5% em relação a 2020. No recorte das exportações, a ampliação do volume embarcado é ainda mais evidente: até 10%. Consumo per capita será de 46 quilos de carne de frango”.

revista-qima

QIMA/WQS foi fundada em 1993, oferecendo soluções para a indústria de alimentos do campo à mesa por meio de certificações reconhecidas pela GFSI (BRCGS, GLOBALG.AP, SQF, IFS), segurança de alimentos, auditorias éticas, selos de qualidade, inspeções, treinamento e gestão da cadeia de fornecimento. Atualmente com sede em Charlotte, Carolina do Norte, com filiais no Brasil e México, fornecem serviços em todo o mundo.

revista-pluma

A Pluma Agroavícola sempre se destacou no mercado pela evolução e crescimento acima da média. Hoje, com 22 anos de fundação, a empresa atua em oito estados do Brasil, sendo Paraná (com sua sede em Cascavel), Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Pernambuco e Distrito Federal. Em 1999, quando a empresa foi fundada, eram apenas cinco funcionários; hoje, são mais de 2.300 colaboradores.

revista-cida

Duas datas muito importantes foram comemoradas nos meses de setembro e outubro ambas com forte relação com os segmentos de avicultura e suinocultura: O Dia Internacional da Conscientização sobre a Perda e o Desperdício de Alimentos (29/09) e o Dia Mundial da Alimentação (16/10) o qual faz alusão também a data de criação da Organização da Nações Unidas para alimentação e agricultura (FAO). Os setores avícola e suinícola conferem grande contribuição aos temas e trazem grandes benefícios a bem-estar população global e do planeta.

Revista-leandro

Sob a liderança da Ministra Tereza Cristina, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento tem trabalhado comprometido com a agenda de abertura, manutenção e ampliação de mercados para os produtos do agronegócio brasileiro. Como resultado abrimos desde janeiro de 2019 até o presente momento, 178 mercados para diferentes tipos de produtos.

revista-edicao-salmonelas

Alberto Back e Vânia Bernardes, do MercoLab Laboratórios LTDA, Cascavel PR publicam artigo na edição de dezembro da Revista do AviSite, em que afirmam que grande desafio atual é o controle das salmonelas paratíficas, que representam os outros quase 300 sorotipos que podem infectar as aves, além da Gallinarum e Pullorum. “
“Controle das salmonelas paratíficas exige conhecimento, ação integrada na cadeia, monitoramento, uso de produtos anti-salmonela (ácidos, probióticos, prebióticos, extratos vegetais…), uso de vacinas, cuidados de ambiência, manejo e biosseguridade”, afirmam.

Capturar-8

Quem se dedicou à tarefa de analisar os balanços das duas principais empresas do setor no segundo trimestre de 2021 deve ter notado que, embora fortes concorrentes entre si, ambas apresentaram pelo menos um argumento em comum para justificar os fracos resultados do período: o encarecimento do custo de produção naquele que, provavelmente, é o momento mais difícil e desafiante da economia e do consumidor brasileiro. Página 62.

Open chat
Cadastre-se para receber os Informativos