sexta-feira, 27 de maio de 2022

Estresse Térmico no Nascedouro sobre Função Imune de Frangos

INTRODUÇÃO O estresse térmico pós-eclosão influencia a função do sistema imune, pelo aumento da corticosterona circulante que causa involução do timo, bursa e baço e redistribuição das subpopulações de linfócitos T (4). A bursa é necessária para a diferenciação de linfócitos B e a produção de anticorpos específicos que começa na vida pré-natal (3), período no qual ocorre a maior taxa de transferência de IgG materna (1). No entanto, a transferência depende da velocidade de absorção do saco vitelino que é alterada pelas variações de T3 e T4, induzidas por mudanças na temperatura da incubação (2). O objetivo desse trabalho foi verificar o efeito do estresse térmico no nascedouro sobre a morfologia da bursa de Fabrícius, a transferência de anticorpos maternos e a resposta imune humoral dos frangos. MATERIAL E MÉTODOS Ovos férteis (68,8 ± 3,6 g), de matrizes Cobb-500® de 45 semanas foram incubados até 438 h sob termoneutralidade. Posteriormente, três grupos foram submetidos às temperaturas do nascedouro (Tn) de 34, 37 ou 39ºC, das 438 às 508 h. No nascimento, 15 aves por tratamento foram sacrificadas e as bursas dessecadas, pesadas, processadas para microscopia e cortes de 6 μm foram corados com hematoxilina e eosina. Imagens dos cortes foram analisadas no programa ImageJ®, sendo mensuradas a área total do corte, folicular, cortical e medular e a espessura do epitélio. Dos pintainhos restantes, 150 por tratamento, não sexados, foram criados em condições de termoneutralidade, com água e ração ad libitum de 1-42 dias. Todas as aves criadas foram vacinadas contra Doença de Newcastle VDN (4º e 16º dia) e Doença Infecciosa da Bursa VDIB (9º e 21º dia). Os títulos de anticorpos foram determinados semanalmente pelo ELISA (kit IDEXX®). O delineamento experimental foi inteiramente casualizado. Os dados relativos à bursa foram analisados considerando o efeito de Tn (34, 37 e 39ºC) e os títulos em esquema fatorial 3X7 (Tn e idade dos frangos; ID). As diferenças (p<0,05) foram comparadas pelo teste de Tukey (5%). Transformaram-se os títulos para a análise (título anti-VDIB: y0,29; anti-VDN: y0,16), porém, apresentam-se os valores originais. RESULTADOS E DISCUSSÃO O peso e a área da bursa não foram afetados pela Tn (Tabela 1). A área folicular diminuiu para os embriões expostos a 34 ou 39ºC. A área cortical aumentou e a medular diminuiu para os embriões em Tn de 34ºC em relação às outras Tn. A espessura do epitélio diminuiu em expostos à 34°C em relação à 37°C. Dessa forma, o estresse térmico (34 ou 39ºC) proporcionou retardo no desenvolvimento do parênquima da bursa. O córtex é caracterizado pela maior taxa de divisão celular (3) e os resultados indicaram que essa divisão pode estimular-se pelo estresse por frio, aumentando assim a área cortical. O efeito da interação entre a Tn e a ID e o efeito principal da Tn sobre os títulos de anticorpos, não foram significativos, no entanto, houve efeito da ID (Figura 1). Os anticorpos contra VDIB e VDN medidos no 1, 7 e 14 dias e 1 e 7 dias, respectivamente, corresponderam à imunidade materna. Em ID posteriores, corresponderam à resposta imune humoral pós-vacinal. A tranferência de anticorpos maternos não foi afetada pela Tn, no entanto, estresse em idades mais precoces altera a absorção do saco vitelino (2) e em conseqüência pode afetar a transferência de IgG materna. Finalmente, o efeito da Tn sobre a bursa não afetou a resposta imune humoral à vacinação contra VDIB e VDN o que sugeriu que a Tn não tem inferferência no processo de diversificação de anticorpos que inicia na bursa no período pré-natal (3). Tabela 1 – Estresse térmico no nascedouro sobre a morfometria da bursa em pintainhos recém eclodidos.  Letras iguais, na linha, não diferem entre si (Tukey 5%).  Figura 1 – Títulos de anticorpos contra VDIB e VDN. a,b,c,d: idades (dias) com letras iguais, não diferem entre si (Tukey 5%). CONCLUSÕES O estresse térmico no nascedouro retarda o desenvolvimento da bursa, porém, não interfere na resposta imune humoral das aves na vida pós-natal nem na transmissão passiva de anticorpos maternos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Boa-amponsem K, Price SE, Geraert PA, Picard M, Siegel PB. Avian Diseases 2001; 45:122-27. 2. Decuypere E, Dewil E, Kühn ER. Avian Incubation. Poultry Science Series 1991, 239-56 3. Paramithiotis E, Ratcliffe MJH. Poultry science 1994; 73(7):991-97 4. Trout JM, Mashaly MM Poultry Science 1994; 73:1694-98

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