sexta-feira, 1 de julho de 2022

Com fim do embargo chinês, preço do boi bate recorde histórico no Brasil

Custo para o consumidor final ultrapassa os 40%, segundo levantamento da Abras, e preço da arroba no mercado doméstico chega a R$ 350

Um levantamento da consultoria Safras & Mercado, feito a pedido da CNN, nesta terça-feira (1º), mostra que o preço da arroba do boi (14,6 kg de carne)* no mercado doméstico chegou a R$ 350 para os comerciantes brasileiros, última etapa antes de ser vendido à população.

Trata-se de um aumento aproximado de 10% nos últimos 45 dias, quando comparado a momentos anteriores ao embargo Chinês. Para os consumidores, essa alta foi de mais de 40% no valor de carnes de segunda.

Dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostram que o preço do Acém registrou uma alta de 21,9% nos últimos doze meses. Atualmente, o quilo custa, em média, R$ 35 para a população.

O coxão duro, igualmente uma carne de segunda, também apresentou um aumento no valor. O custo máximo desse item em 2021 foi de R$ 47,98 por quilo, aumento de 38,9% no mesmo período.

O custo da arroba do boi bateu recordes consecutivos desde dezembro de 2021, quando a China revogou o embargo ao produto brasileiro. Isso porque o retorno das exportações e a alta demanda asiática, causaram um aumento nunca antes vistos nos preços do produto para os estabelecimentos comerciais do país.

Essa alta foi sentida tanto pelo setor varejista, quanto para os consumidores finais.
“Agora que os chineses voltaram a comprar carne brasileira, o boi gordo foi comercializado ao varejista por um preço recorde aqui no Brasil. Eu nunca vi ser alcançado esse patamar de preços na história do mercado pecuário. É um recorde.

Com o fim do embargo, foi registrado um aumento do fluxo de exportação, o que reduziu a disponibilidade interna do produto. Consequentemente, o preço da carne sobe. Exportar gera muito mais receitas do que manter produto no mercado interno, enquanto importar é uma opção ruim em meio a desvalorização do real”, explicou à CNN, o consultor especializado em bovinos da Safras & Mercado, Fernando Iglesias.

Na prévia da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), em janeiro de 2022, o setor pecuário exportou 140,5 mil toneladas de carne bovina, 24,7% a mais que o mesmo mês de 2021. Os dados do órgão, ligado ao governo federal, foram divulgados nesta terça-feira (1).

Segundo a pesquisadora associada ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ana Kreter, os recordes consecutivos no preço do produto acontecem em meio à desvalorização do real, o que torna a exportação mais lucrativa para o setor pecuarista.
A alta nos juros também influencia o aumento no custo da carne bovina, tanto para o varejista como para o consumidor final.

“Por um lado, a desvalorização do real torna o produto brasileiro mais competitivo no mercado internacional. Por outro lado, a alta do dólar contribui para o custo de produção do setor no Brasil. Isso está explicado, por exemplo, pelo custo da soja e milho, grãos utilizados para a alimentação do gado. Apesar de serem produzidos dentro do Brasil, a ração precisar ter aditivos de outros insumos que são importados. E eles acabam entrando no mercado brasileiro mais caro e repassados para toda a cadeia, por conta da alta do dólar”, afirma Ana Kreter.

Para o futuro, o especialista Fernando Iglesias afirma que o preço da carne no mercado interno vai depender do fator cambial e da demanda dos chineses pelo produto. Atualmente, a China representa 50% de todas as exportações brasileiras.

“A expectativa é de uma curva cambial que ainda tende para a desvalorização do real, frente ao dólar, ao longo dos próximos meses. Isso é factível a partir do momento que a gente pensa no ambiente político conturbado do Brasil, nas dificuldades macroeconômicos do país, na dificuldade de controlar inflação e outros aspectos. Tudo isso torna o cenário de exportação interessante. Mas claro também que depende do potencial de consumo chinês, o que deve continuar crescendo”, finalizou Fernando Iglesias.

* Nota do AviSite: originalmente a arroba tinha, exatamente, 14,688 quilos, arredondados no Brasil, há mais de século, para 15 kg.

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