sábado, 28 de maio de 2022

China libera carne brasileira certificada até 4 de setembro

Em um sinal positivo nas negociações entre Brasil e China para a reabertura do mercado do país asiático à carne bovina brasileira, aguardado há mais de dois meses, a Administração Geral de Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês) autorizou ontem o desembarque das cargas que foram certificadas antes de 4 de setembro – quando passou a valer a suspensão provocada pela confirmação de dois casos atípicos do mal da “vaca louca” no Brasil, em Minas Gerais e Mato Grosso.

Desde que o Ministério da Agricultura do Brasil suspendeu voluntariamente os embarques à China, seguindo o que manda o protocolo bilateral para a ocorrência de casos da doença, os frigoríficos brasileiros temiam pelas cargas de carne bovina que estavam certificadas antes do embargo.

Ao autorizar o desembaraço dessas cargas, a China emitiu um “sinal de boa vontade”, disse um executivo de um dos maiores frigoríficos brasileiros ao Valor. Ainda não se sabe quando Pequim encerrará definitivamente o embargo, mas a liberação dos produtos já certificados é um grande alívio. “Estamos no caminho certo”, disse a ministra da Agricultura, Tereza Cristina – a Pasta tem sido alvo de críticas por causa da demora para a reabertura do mercado chinês.

Pelos cálculos de uma fonte da indústria, o volume de carne bovina certificada – boa parte dele a caminho da China ou já parado nos portos – é significativo. Estima-se que cerca de 140 mil toneladas de carne bovina estejam nessa condição. Considerando um preço médio de US$ 6,3 mil por tonelada, trata-se de um estoque de quase US$ 900 milhões. Fontes em Brasília falam em 100 mil toneladas.

Tereza Cristina informou que prosseguem as negociações que visam à suspensão definitiva do embargo e que espera que isso aconteça até o mês que vem. Ela realçou, no entanto, que o segmento é forte no Brasil e tem buscado outros destinos durante o embargo da China, que normalmente absorve 60% das exportações brasileiras de carne bovina.

“As negociações continuam em andamento. Estamos na nona rodada de troca de informações com os chineses. É uma negociação muito detalhada. Prestamos todas as informações que eles solicitaram e temos a expectativa de que eles suspendam esse embargo o quanto antes, em um futuro mais próximo possível”, diz o ministro Alexandre Ghisleni, diretor do Departamento de Promoção do Agronegócio do Itamaraty.

Embora tenha derrubado as exportações em outubro – e, teoricamente, elevado a oferta doméstica -, a trava chinesa até agora foi incapaz de gerar quedas expressivas dos preços da carne bovina no varejo brasileiro.

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