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Mercado chinês: um potencial que o Brasil precisa aproveitar melhor
Campinas, 19 de Abril de 2007 - Avaliando as perspectivas da avicultura de corte chinesa no decorrer de 2007, o USDA – Departamento de Agricultura dos EUA estima que a produção local de carne de frango deva crescer cerca de 2,5%, situando-se em cerca de 10,5 milhões de toneladas. Esse é – reconhece o USDA – um índice de expansão bastante moderado para um país cuja demanda cresce vertiginosamente. E como, devido à prevalência da Influenza Aviária, é impossível acelerar o ritmo de produção, o USDA acena com a possibilidade de a avicultura norte-americana ser beneficiada com grandes importações do produto pelos chineses. Não será novidade se isso acontecer. Pois, nos últimos dois anos, os EUA expandiram substancialmente suas vendas à China, direta e indiretamente (isto é, através da reexportação por Hong Kong). Assim, as vendas diretas, da ordem de 75 mil toneladas em 2004, alcançaram as 390 mil toneladas no ano passado – uma expansão de 416% em dois anos. Já o produto reembarcado por Hong Kong passou de 32 mil toneladas para 162 mil toneladas, obtendo um incremento de quase 250%. E o Brasil? Ao ressaltar que os EUA vêm sendo os maiores fornecedores de frango para os chineses, o USDA também observa que “o Brasil vem logo ‘na cola’, embora apenas uma empresa tenha sido habilitada em 2006 para exportar (para o mercado chinês)”. E acrescenta que o Brasil enfrenta desafios com o fortalecimento do real, além de estar buscando a habilitação de novos abatedouros. Sendo essas ou outras as razões, a verdade é que as exportações brasileira de carne de frango para a China vêm tendo uma evolução de certa forma incompatível com o potencial do mercado chinês. Assim, embora tenham registrado aumento de quase 135% em relação a 2004, no ano passado as vendas diretas do Brasil para a China não tiveram qualquer crescimento – isto, ainda que as importações globais chinesas de carne de frango tenham aumentado mais de 50% no ano. É verdade que, no caso da carne de frango importada para reexportação, via Hong Kong (que aumentou 68% no ano) a situação se inverteu e a participação brasileira aumentou quase 250% no biênio. Mesmo assim, as exportações globais brasileiras para a China continua representando menos de 60% do que exportam os norte-americanos, além do que as reexportações via Hong Kong devem ser consideradas “de risco”, pois há uma clara disposição das autoridades sanitárias chinesas de concentrar as importações do gênero, sem depender de terceiros (ainda que os terceiros sejam um território especial chinês, caso de Hong Kong). Daí a conclusão de que o desempenho do Brasil perante os chineses continua sendo fraco. Mas dessa conclusão vem uma indagação: estaria nesse desempenho a confirmação do que pensa o diplomata Chen Duqing, embaixador da China no Brasil? Em recente evento do Conselho Empresarial Brasil-China, ao refutar críticas à política comercial chinesa, Duqing afirmou que “o Brasil tem bons produtos, mas não sabe vender”.

(AviSite) (Redação)
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