 
A
situação não é tão grave quanto a observada, por exemplo,
no primeiro semestre de 2006, ocasião em que, como
decorrência da crise externa da Influenza Aviária, a
oferta interna de carne de frango chegou a registrar
evolução anual superior a 12%. Nem tão preocupante quanto
a observada no início deste ano quando – pela infeliz
combinação de uma alta produção com uma baixa exportação –
a disponibilidade aparente do produto registrou evolução
próxima dos 10% em relação a idêntico período anterior.
Ainda assim, o atual recuo nas exportações volta a elevar
o volume de carne de frango internalizado e deve fazer com
que, no ano, haja um aumento de quase 7% em relação a
2007.
O grande problema, entretanto, não está no alto índice de
variação anual, mesmo sendo este visivelmente superior ao
crescimento vegetativo da população (pouco mais de 1% ao
ano, segundo os últimos dados do IBGE). O desafio maior,
sem dúvida, se encontra no fato de o aumento estar todo
concentrado no trimestre final do ano.
Demonstrando, basta lembrar que nos 12 meses encerrados em
setembro de 2008 a oferta interna de carne de frango
apresentava evolução anual de 2,69%, isto significando uma
expansão sustentável, pois ligeiramente acima do
crescimento vegetativo da população. Já o índice previsto
para o final do ano, de quase 7% de expansão, se encontra
150% acima do índice registrado em setembro, denotando a
recente concentração de oferta.
Mais: nos 34 meses (quase três anos) decorridos entre
janeiro de 2006 e outubro de 2008 a oferta interna de
carne de frango girou em torno das 575 mil toneladas e o
mercado sempre enfrentou sérios problemas nas várias
ocasiões em que esse volume foi ultrapassado. Pois o
comportamento atual indica que, desta vez, o incremento
deve ser ainda maior. E de maior risco se considerada a
situação da economia.
Resumo da ópera: altamente dependente do mercado externo,
a avicultura brasileira não pode ignorar (como tem feito
até agora) a evolução desse mercado. Da mesma forma que
precisa perder a mania de definir sua evolução em função
das perspectivas externas.
Pois quando, lá fora, alguma coisa não dá certo, quem
realmente paga a conta são os dois terços produzidos para
o abastecimento interno.
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