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Produção e mercado em resumo
Afoita, avicultura brasileira perdeu em 2009 a chance de superarse à crise
Pelas suas características econômicas – crise global – 2009 é um ano para ser esquecido, colocado no limbo. Mas para a avicultura brasileira deve se transformar em ano a ser permanentemente rememorado. Para que não se repitam os equívocos cometidos no decorrer do exercício. Senão, vejamos: Caso 1 – Avicultura de corte – Frente ao espectro de um ano totalmente arruinado o setor tomou suas primeiras providências ainda em 2008. Resultado: como raras vezes acontecera antes experimentou um janeiro em que o frango terminou o mês com preço superior ao de abertura do ano – um paradoxo para o período de baixo consumo, mas sobretudo frente à crise econômica então experimentada. Paradoxo maior, porém, foi – em plena crise – a atividade conseguir fechar o primeiro semestre com preços médios superiores aos do primeiro semestre do ano anterior. Tudo apenas porque se soube interpretar as condições prevalentes e adequar a produção ao escasso mercado. Mas o setor acabou interpretando equivocadamente os sinais de melhora do mercado: julgou que indicavam retomada de consumo (quando na realidade decorriam de uma oferta mais condizente com a restrita demanda) e voltou a aumentar desmesuradamente a produção.O efeito, óbvio, foi inverso ao do primeiro semestre. Pois enquanto a primeira metade do ano foi fechada com um ganho de 15% sobre o mesmo período de 2008, no segundo semestre enfrentou-se queda de 12% relativamente ao mesmo período anterior, o que fez o ano ser encerrado com, praticamente, o mesmo valor de 2008. Menos mal, em se tratando de ano de crise. Mas poderia ter sido muitíssimo melhor. Caso 2 – Avicultura de postura – Ainda em 2006, em função das vultosas perdas enfrentadas no decorrer do ano, os produtores de ovos se recompuseram e, através de um alojamento de poedeiras mais harmônico, obtiveram ganhos significativos nos dois anos seguintes – de 43,45% em 2007; e de outros 10,65% em 2008. Porém, tudo isso se perdeu no ano passado, já que o preço médio obtido pelo ovo recuou 11,44% em relação ao ano anterior, registrando a pior média do último triênio e alcançando, em valores reais, aquele que foi, provavelmente, o pior preço dos anos 2000. Mas como, se a capacidade de produção do setor permanece igual à de 2008 e de 2007? Tudo indica que também o setor de postura entendeu que os bons preços do setor eram decorrência da retomada do consumo. E (omitindo informações) passou a aumentar o número de pintainhas de postura alojadas, com o que obteve a partir da virada do semestre uma produção visivelmente maior que a do mesmo período do ano anterior. Enquanto no primeiro semestre do ano os preços recebidos pelo setor recuaram menos de 5%, no semestre final do ano a redução de preços aproximou-se perigosamente dos 20% - fazendo com que o valor médio do ano fosse 11,4% inferior ao de 2008 e o pior registrado no triênio 2007- 2009. Moral da história: quando o mercado melhora, há 90% de chances de o motivo estar na contenção da oferta, não no aumento da demanda. E isso precisa ser aprendido para que não se perca mais um ano.
Artigo da Revista do AviSite, Produção Animal - Avicultura - Edição 33, janeiro de 2010.
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