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Conjuntura atual da avicultura se assemelha à do segundo semestre de 2005. E isso preocupa.
Campinas, Outubro de 2008 - Ainda não totalmente refeita dos desafios que enfrentou na primeira metade do ano, mas novamente estimulada pelo desempenho sem dúvida excepcional das exportações e pelo bom comportamento interno da economia, a avicultura brasileira agora corre o risco de, mais uma vez, enfrentar novo impasse – também de caráter externo, como foi a grande crise de 2006, ocasionada pelo temor da Influenza Aviária na Europa, Ásia e Oriente Médio. Mas como agora o problema é essencialmente econômico e o maior afetado é a principal economia do mundo – os EUA – os desdobramentos desse impasse podem ter repercussões muito mais graves que todas as crises anteriores. A começar pelo crédito, essencial para a manutenção de todas as atividades e que, no nosso caso, não se limita apenas à produção avícola, se estende (apenas um exemplo, entre muitos que poderiam ser tomados dentro do setor) à futura produção de grãos, essenciais à produção de ovos e de carnes. E, todos sabemos, depois das quebras financeiras registradas nos EUA, até por aqui o crédito começa a ficar mais escasso. Ou, pelo menos, muito mais seletivo, o que, de qualquer forma, afeta o ritmo de evolução da economia. Economia em desaceleração significa, também, menor consumo – inclusive de alimentos, ainda que estes sejam essenciais. E a avicultura brasileira além de ser, hoje, a maior fornecedora de carne de frango para o mundo, também tem no mercado externo 35% de seus consumidores, um índice de dependência que nenhum país do mundo jamais registrou. Como ficará o setor e, especialmente, o mercado interno se o ritmo de compra desses consumidores diminuir ou sofrer solução de continuidade? Nada de ruim ocorreu por ora e,espera-se, nada acontecera. Mas não há como esconder que o cenário atual da avicultura brasileira lembra muito aquele observado há exatos três anos, no segundo semestre de 2005. Então, como agora, as exportações caminhavam num ritmo célere (mais de 16% entre janeiro e agosto), acompanhado pela produção (10% de expansão no mesmo período). Foi quando ocorreu, primeiro, uma greve interna dos fiscais federais agropecuários que derrubou as exportações (novembro/05) e, quase simultaneamente, a crise externa da Influenza Aviária. Nem é preciso mencionar o que veio depois, pois isso ainda deve estar claro na memória do setor. Mesmo correndo o risco de ser taxado de Cassandra, é preciso deixar claro que a ameaça atual talvez seja ainda pior que a de três anos atrás. Pois enquanto em 2005 o setor encerrou o ano com um aumento de 10% na sua capacidade de produção (matrizes alojadas), neste ano essa capacidade já aumentou 19%, índice que não deve sofrer grande variação até o final do período. Ou seja: será que o Brasil e o mundo estarão em condições de absorver quase um quinto a mais do que se produz atualmente? Repetindo (e batendo na madeira três vezes): nada de ruim ocorreu até agora e, espera-se, nada acontecerá. Mas uma adequada dose de prevenção não deve fazer mal a ninguém, até pelo contrário. Por sinal, falar em redução do ritmo produtivo no atual momento será considerado heresia, pois não só a época (aproximação das Festas) solicita maior produção, como também a conjuntura manda faturar mais (produzindo mais, claro). Mas é aí que se encontra o grande risco do setor: produzir mais e ficar com o “mico” na mão. Exatamente como se observou no primeiro semestre de 2006. O cenário solicita, mais do que em qualquer outra ocasião, profunda reflexão. E cautela acompanhada de caldo de galinha talvez seja o prato mais adequado para o momento.
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